Eurogrupo e Atenas discutem futuro da dívida grega

Ameaça de nova crise não é de excluir, mas há ainda tempo para mais negociações. Dijsselbloem dúvida de acordo imediato.

Se Atenas pretende chegar a um "acordo político de princípio" na reunião do Eurogrupo que hoje decorre em Bruxelas, não está completamente afastada a hipótese de um impasse.

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, referiu, na passada semana, ser "impensável" fechar um acordo neste momento. Em Bruxelas defende-se que, sem novas medidas de austeridade, não há saída para a crise grega, enquanto o governo de Alexis Tsipras diz o contrário.

Em Atenas continua a insistir-se ser impossível maior celeridade na concretização de reformas económicas, na redução do défice orçamental e do valor das pensões, como é considerado necessário pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para se associar agora ao programa de ajuda financeira.

A soma destes fatores tem tornado tensas as negociações, com uma fonte europeia a dizê-lo claramente ontem ao Le Figaro. A única certeza que essa mesma fonte dava como adquirida é que um cenário de grexit - abandono da zona euro pela Grécia - não está em cima da mesa, ao contrário do que chegou a suceder no passado.

Por outro lado, o desacordo entre o FMI e a Comissão Europeia sobre o valor do excedente orçamental a exigir a Atenas, a partir do próximo ano, coloca também algumas interrogações sobre o resultado final da reunião de Bruxelas.

O FMI considera impossível que Atenas tenha um excedente orçamental de 3,5% do produto interno bruto (PIB) - antes do pagamento da dívida - e insiste na necessidade absoluta de renegociação desta. A Comissão afirma que aquela meta é exequível e também que os gregos podem reembolsar o montante da dívida. Para isso, pretende que o governo helénico reserve um valor na ordem dos 2% do PIB, cerca de 3,6 mil milhões de euros, para garantir o serviço da dívida perante desenvolvimentos inesperados. Verba que seria obtida com a redução do limiar da isenção fiscal no capítulo dos rendimentos e com novo corte nas pensões e reformas. Estas sofreram 11 cortes desde o primeiro plano de ajuda, em 2010.

O sistema de pensões é uma das causas da grave situação financeira da Grécia pelo desequilíbrio entre o número de beneficiários, 2,7 milhões de pessoas, e o número de empregados, cerca de 3,6 milhões. Isto para uma população total pouco abaixo dos 11 milhões, mas onde a taxa de desemprego está nos 23% e a do desemprego jovem nos 45,70%.

Na reunião deve fazer-se o balanço da concretização das metas estabelecidas no plano de ajuda, etapa necessária para o desbloqueamento de novas verbas para a Grécia.

O comissário para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, esteve a meio da semana passada em Atenas, onde afirmou que os gregos "necessitam de ver uma luz ao fundo do túnel da austeridade", mas não deixou de notar serem necessários esforços "de todos os lados" para haver acordo. Hoje, ver-se-á o resultado desses esforços. Em julho, o país tem de satisfazer pagamentos aos credores na ordem de sete mil milhões de euros. Mas o facto de faltarem mais de quatro meses deixa ainda tempo suplementar para negociações.

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