Estudo mostra que covid-19 já circulava nos EUA antes de a China oficializar primeiros casos

O novo coronavírus circulava nos Estados Unidos semanas antes do primeiro caso identificado, conclui um estudo ao sangue de dadores de oito estados norte-americanos.

Uma análise dos anticorpos encontrados no sangue doado à Cruz Vermelha indica que alguns norte-americanos já tinham contraído o novo coronavírus em meados de dezembro do ano passado, antes de os primeiros casos terem sido oficialmente comunicados na China.

Embora o primeiro caso de coronavírus dos EUA tenha sido identificado a 19 de janeiro, um novo estudo publicado na segunda-feira na revista online Clinical Infectious Diseases oferece provas de que o vírus entrou no país semanas antes.

O estudo analisou doações de sangue de oito estados, pelo que não oferece um panorama completo da presença do vírus no país, nem onde foi detetado primeiro.

Ao testar amostras de sangue recolhidas de 7389 dadores entre 13 de dezembro de 2019, e 17 de janeiro, os investigadores dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA descobriram que 106 continham anticorpos que poderiam apontar para uma infeção prévia pelo novo coronavírus.

Destes, 90 foram ainda testados para assegurar que os anticorpos não constituíam uma resposta a outros coronavírus que causam a gripe comum. Quase todas essas amostras, 84 no total, continham anticorpos específicos do SARS-CoV-2, segundo o Wall Street Journal.

Os investigadores descobriram que 39 amostras recolhidas na Califórnia, Oregon e Washington entre 13 e 16 de dezembro continham anticorpos, o que indica que os norte-americanos da Costa Oeste contraíram o vírus semanas antes de os funcionários de Wuhan, na China, terem reportado um surto em 31 de dezembro.

Foram também detetados anticorpos em 67 amostras adicionais dos estados da Costa Leste e Centro-Oeste - Michigan, Wisconsin, Iowa, Massachusetts, Connecticut e Rhode Island - que foram recolhidas entre 30 de dezembro e 17 de janeiro.

Estes resultados apontam para que o coronavírus tinha chegado a várias regiões do país no início de janeiro, chegando nalguns casos a estados um mês antes de os primeiros casos serem oficialmente registados.

Também na revista Clinical Infectious Diseases investigadores do CDC escreveram num artigo publicado a 25 de novembro que o número real de casos de coronavírus nos EUA pode ser oito vezes superior ao reportado.

Entre 27 de fevereiro e 30 de setembro, a soma das infeções por covid-19 pode ter atingido quase 53 milhões, cerca de oito vezes o número relatado de 6,8 milhões.

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