EUA podem ter o inverno "mais sombrio da história moderna". Imunologista alerta para novo surto

O imunologista norte-americano prevê um novo surto de covid-19 já em outubro.. "Se não conseguirmos desenvolver uma resposta coordenada nacional, baseada na ciência, temo que a pandemia piore muito e seja prolongada, causando doenças e mortes sem precedentes", alertou Richard Bright.

Os Estados Unidos enfrentam "o mais sombrio inverno da história moderna", a menos que os líderes ajam de forma decisiva para impedir um novo surto do novo coronavírus, disse um imunologista norte-americano.

Richard Bright - que foi recentemente removido do seu posto como chefe da Autoridade Biomédica de Investigação e Desenvolvimento, depois de ter alertado para falhas do Governo federal no combate à pandemia de covid-19 -- repetiu os avisos de alarme perante o Comité de Energia da Câmara de Representantes.

"Sem um planeamento claro das etapas que eu e outros especialistas delineamos, o inverno de 2020 será o mais sombrio da história moderna", disse o especialista, que prevê um novo surto de covid-19 já em outubro.

Os congressistas democratas esperam agora que as recomendações de Bright sejam apoiadas por empresários que têm constatado os problemas criados pela gestão da crise sanitária desenvolvida pela Casa Branca.

"A nossa janela de oportunidade está a fechar-se", disse Bright no seu testemunho perante o Congresso.

"Se não conseguirmos desenvolver uma resposta coordenada nacional, baseada na ciência, temo que a pandemia piore muito e seja prolongada, causando doenças e mortes sem precedentes", explicou o imunologista.

Os avisos de Fauci não foram bem recebidos por Trump

O alerta de Bright acontece depois de, na terça-feira, o principal conselheiro da Casa Branca para o combate à pandemia, Anthony Fauci, ter avisado o Senado dos EUA que um fim demasiado rápido do confinamento pode fazer regressar a crise sanitária a níveis alarmantes, "causando sofrimento e morte desnecessários".

Horas depois do aviso de Bright, o Presidente Donald Trump usou a sua conta pessoal da rede social Twitter para desvalorizar as recomendações de Bright, atribuindo-as a "um funcionário insatisfeito, não apreciado nem respeitado pelas pessoas com quem falei e que, com a sua atitude, não deveria sequer estar a trabalhar para o nosso Governo".

Donald Trump tem insistido na necessidade de reabrir rapidamente a economia dos EUA e tem pedido aos governadores estaduais para estabelecerem regras para o fim do confinamento, apesar dos receios de parte da população no regresso à normalidade.

No depoimento no Congresso, Bright alertou para os perigos futuros decorrentes da falta de cuidados no fim do confinamento.

"É um facto inegável que haverá um ressurgimento (do novo coronavírus) neste outono, agravando muito os desafios da gripe sazonal e colocando uma enorme pressão no nosso sistema de saúde", disse.

Bright, que tem um doutoramento em imunologia, traçou o caminho a seguir, numa altura em que os investigadores ainda procuram uma vacina eficaz para o novo coronavírus.

O plano inclui uma estratégia nacional de testes, um maior nível de comunicação pública sobre medidas básicas de segurança, o aumento da produção de equipamentos de saúde essenciais e um sistema de distribuição eficaz desses equipamentos.

EUA registam mais de 84 mil mortos

Os Estados Unidos são um dos países mais afetados pela pandemia de covid-19, com cerca de 1,4 milhões de casos de contaminação e mais de 84.000 mortes.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 297 mil mortos e infetou mais de 4,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,5 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou agora a ser o que tem mais casos confirmados (1,88 milhões contra 1,81 milhões no continente europeu), embora com menos mortes (113 mil contra 161 mil).

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), paralisando setores inteiros da economia mundial, num "grande confinamento" que vários países já começaram a aliviar face à diminuição dos novos contágios.

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