EUA pedem saída de Maduro e de Guaidó para facilitar eleições

Novo plano, que inclui detalhes para o levantamento das sanções económicas à Venezuela, surge depois de Washington ter acusado o presidente venezuelano de narcoterrorismo. EUA não viram as costas ao presidente interino, dizendo que ele poderia concorrer às eleições, ao contrário de Maduro.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, defendeu esta terça-feira que tanto Nicolás Maduro como Juan Guaidó devem afastar-se para favorecer a criação de um "Conselho de Estado" e de um "governo de transição" com membros do regime e da oposição que permita a realização de eleições na Venezuela.

Guaidó, líder da Assembleia Nacional venezuelana, foi reconhecido em janeiro de 2018 pelos EUA (e por meia centena de outros países, incluindo Portugal) como presidente interino da Venezuela. Isto depois de Maduro tomar posse para um novo mandato, fruto de eleições que essa parte da comunidade internacional considerou que não foram livres ou justas.

"Este plano propõe que tanto Maduro, o ex-presidente que se aferrou ao poder, como Juan Guaidó, o presidente interino, deem um passo ao lado para que membros eleitos na Assembleia Nacional de ambas as partes possam criar um Conselho de Estado que sirva como governo de transição, que organize eleições presidenciais livres e justas", escreveu no Wall Street Journal o responsável do Departamento de Estado para a Venezuela, Elliott Abrams.

"Os EUA não apoiam nenhum partido político em particular na Venezuela. Apoiamos o regresso à democracia e acreditamos que todos os partidos, incluindo o partido do regime, PSUV, deveriam poder concorrer em igualdade de condições em eleições livres e justas", acrescentou Abrams.

Na conferência de imprensa de apresentação do plano, Pompeo disse contudo que o objetivo dos EUA não mudou, deixando claro que Guaidó podia concorrer às eleições, mas Maduro não. "Fomos claros desde o início que Maduro nunca vai voltar a governar a Venezuela", disse o secretário de Estado.

Questionado sobre se Guaidó podia concorrer, Pompeo respondeu: "Claro que sim". E acrescentou: "Acho que é o político mais popular na Venezuela. Acho que se as eleições fossem hoje, ele teria um excelente resultado." O secretário de Estado explicou ainda que os EUA vão continuar a apoiá-lo. "Quando desenhámos este caminho para a democracia, nós trabalhámos de perto com ele."

O novo plano dos EUA detalha ainda em que condições Washington pode levantar as sanções económicas que existem atualmente contra a Venezuela. Apesar de aqueles que são acusados de violação dos direitos humanos e tráfico de droga não serem contemplados no levantamento de sanções, vários indivíduos que constam da lista negra norte-americana por fazerem parte do governo de Maduro iriam beneficiar.

Contudo, para as sanções desaparecerem, o novo Conselho de Estado (formado por cinco elementos) teria que estar a funcionar e as forças militares internacionais, de Cuba à Rússia (dois países que apoiam Maduro), teriam que deixar o país.

"O que esperamos é que isto intensifique a discussão dentro do exército, do chavismo, do PSUV e do regime sobre como sair desta crise terrível em que estamos", disse Abrams à Associated Press. Além da crise política e da crise económica, agrava-se também agora a crise de saúde pública, por causa do coronavírus, num país onde o sistema de saúde está em rutura.

Guaidó já reagiu no Twitter: "Falei com o secretário de Estado Pompeo para agradecer o apoio dos EUA à criação de um Governo de Emergência e de um Conselho de Estado para resolver a crise. É momento de crescermos: estamos a dar os passos corretos para salvar a Venezuela".

"Agora, tal como escrevi ontem, que o usurpador assuma a sua responsabilidade e aceite a oferta que lhe fez a comunidade internacional. Vários dos seus já entenderam que é a única opção para superar a crise. E nós vamos fazer tudo para preservar a vida do nosso povo", acrescentou numa segunda mensagem.

O plano de transição surge depois de o Departamento de Justiça norte-americano ter acusado Maduro de narcoterrorismo e de o Departamento de Estado ter oferecido uma recompensa de 15 milhões de dólares por informação que pudesse levar à sua captura.

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