EUA: árbitro acusado de racismo por não aceitar rastas de lutador negro

Normas desportivas ou racismo? Num campeonato escolar de luta livre, um árbitro branco disse a um adolescente negro que ou cortava as rastas ou era desclassificado. O rapaz aceitou cortar o cabelo e ganhou. O árbitro, que foi já acusado de racismo por um episódio anterior, enfrenta agora uma investigação.

Andrew Johnson é um aluno de um liceu de New Jersey, o Buena Regional High School, e integra a respetiva equipa de luta livre. Quarta-feira, quando ia lutar com um membro de uma equipa rival, foi avisado pelo árbitro de que o seu cabelo -- Andrew tinha rastas -- não cumpria as normas e que ou o cortava ou era desclassificado. O rapaz aceitou cortar as rastas e isso foi feito, à vista de todos, por um membro da equipa técnica.

Um repórter local fez um vídeo do momento e colocou-o no Twitter, colado às imagens do final do combate, quando Andrew, após ganhar a luta, se aproxima, de olhos em baixo e semblante carregado, do árbitro, para que este lhe erga o braço em sinal de vitória.

O vídeo, no qual se vê que durante o corte das rastas o adolescente é consolado por vários colegas, foi apresentado pelo repórter como um símbolo de espírito desportivo e da capacidade de sacrifício pela equipa mas rapidamente viralizou, desencadeando um movimento de repúdio, com vários ativistas e organizações de luta contra a discriminação a acusar o árbitro de racismo e o procurador do Estado a ordenar um inquérito ao caso.

Até o governador de New Jersey já tomou posição sobre o caso, dizendo-se "profundamente perturbado": "Nenhum estudante deve ter de escolher entre a sua identidade e fazer desporto", escreveu este sábado no Twitter.

"Nenhum estudante deve ter de escolher entre a sua identidade e fazer desporto", escreveu no Twitter o governador do Estado de New Jersey, o democrata Phil Murphy.

Já o árbitro, Alan Maloney, alega que se limitou a cumprir as normas, que especificam que se um lutador tiver cabelo abaixo do lóbulo da orelha, ou que toque no decote da camisola, deve usar uma proteção capilar. Parece que era o caso de Andrew Johnson, mas não é claro se a dita estava de acordo com as normas. A informação que há é de que tinha participado noutras competições antes do incidente, sem qualquer problema.

Dois árbitros contactados pelo Courier-Post , um site noticioso local, e que não estiveram envolvidos naquela competição específica, disseram estar convictos de que as regras tinham sido corretamente interpretadas por Maloney.

Maloney não está formalmente suspenso mas não deverá arbitrar mais competições até que o assunto fique esclarecido. O facto de em 2016 ter sido acusado, numa reunião privada, de apelidar um colega negro de "nigger" -- um insulto racista que poderá ser traduzido em português como "preto" ou "escarumba" -- está a pesar na apreciação pública do caso.

"Isto não é sobre cabelo, é sobre raça", escreveu a União Americana pelas Liberdades Cívicas no Twitter. "De quantas maneiras diferentes as pessoas tentam excluir os negros da vida pública sem quererem assumir o seu preconceito? Estamos devastados por isto te ter acontecido, Andrew. Foi discriminação, e não é aceitável."

A União Americana das Liberdades Civis (ACLU), uma organização não governamental historicamente ligada à luta pela emancipação ds negros nos EUA, já tomou posição, através da sua secção de New Jersey: "Isto não é sobre cabelo, é sobre raça", escreveu no Twitter. "De quantas maneiras diferentes as pessoas tentam excluir os negros da vida pública sem quererem assumir o seu preconceito? Estamos devastados por isto te ter acontecido, Andrew. Foi discriminação, e não é aceitável."

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