Estátuas cobertas: a indignação e a resposta nas redes sociais

Itália cobriu quatro estátuas nuas para não ofender o presidente do Irão. Utilizadores das redes sociais sugerem, ironicamente, que outras peças de arte sejam tapadas

A imagem das estátuas cobertas no Museu Capitolino está a percorrer o mundo e a levantar uma onda de críticas e revoltas ao que muitos chamam a "submissão do Ocidente". As estátuas que representavam nus foram cobertas com painéis brancos quando o presidente do Irão, Hassan Rouhani, visitou a Itália e se encontrou com o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, esta segunda-feira.

Na internet surgiram várias imagens a ridicularizar a situação e a criticar a decisão do governo italiano. Na altura, segundo a agência de noticias italiana, foi dito que as estátuas foram cobertas como "forma de respeito à cultura e sensibilidade iranianas" e que pelo mesmo motivo não seria servido vinho durante o jantar oficial do encontro. O presidente iraniano agradeceu o ato, afirmando que "os italianos recebem muito bem os seus convidados [e] são pessoas que procuram deixar os convidados à vontade", mas logo de seguida, negou ter pedido que as estátuas fossem cobertas.

O ministro da Cultura italiano, Dario Franceschini, e Matteo Renzi negaram igualmente ter dado a ordem, que já foi apelidada de "solução italiana".

Matteo Renzi foi acusado de se submeter e à Itália, país que se orgulha do seu património artístico, aos desejos do Irão. Durante a viagem de dois dias o presidente iraniano assinou acordos comerciais com o país no valor de 17 mil milhões de euros.

A imagem das caixas brancas que escondem as obras de arte foi publicada na capa de vários jornais italianos e criticada nos títulos. "Cobrir os nus é expor Itália ao ridículo", lia-se na capa do Il Giornale, esta quarta-feira. "Assim Renzi se inclina a Rohani", dizia outro artigo do mesmo jornal. Nas redes sociais o tom das críticas era mais duro.

Várias pessoas sugeriram cobrir também outras obras de arte para não ofender os mais sensíveis.

"Cobrir aqueles nus significou cobrirmo-nos a nós próprios. Valeu a pena, para não ofender o presidente iraniano, ofendermo-nos a nós mesmos?" Foi a pergunta do jornal La Republica. Além dos painéis brancos, os utilizadores sugeriram o uso de peças de roupa e acessórios para proteger as sensibilidades do presidente.

Gianluca Peciola, deputado do partido de esquerda SEL, organizou uma petição para pedir explicações ao governo pelo sucedido no Museu Capitolino que tem mais de duas mil assinaturas.

Hassan Rouhani prosseguiu com a sua agenda de visitas oficiais e foi para França após ter estado na Itália. A viagem fez com que mais uma vez surgissem imagens satíricas sobre toda a situação.

O jornal La Stampa acusou os "génios do protocolo" italianos de terem medo que o presidente tivesse um "choque hormonal" se visse as estátuas e cancelasse os contratos com as empresas italianas, segundo a Reuters.

Foi ainda feita uma montagem do presidente Rohani numa reunião com o Papa Francisco, num escritório com um quadro que mostrava mulheres nuas.

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