Esta é Emma González, a cara dos estudantes de Parkland

Sobrevivente do tiroteio de escola na Florida tem lutado pelo controlo de armas. A sua conta no Twitter, criada neste mês, já tem mais seguidores do que a poderosa NRA

"Tenho 18 anos, sou cubana e bissexual. Sou tão indecisa que não consigo escolher uma cor favorita e sou alérgica a 12 coisas. Desenho, pinto, faço croché, costuro, bordo - qualquer coisa produtiva que possa fazer com as minhas mãos enquanto vejo Netflix." É assim que Emma González se apresentou no primeiro parágrafo do ensaio que escreveu no dia 26 para a revista Harper"s Bazaar. "Mas nada disso importa mais. O que importa é que a maioria do povo americano tornou-se complacente com uma injustiça sem sentido que ocorre em seu redor. O que importa é que a maioria dos políticos americanos se tornou mais facilmente influenciada pelo dinheiro do que pelas pessoas que votaram neles. O que importa é que os meus amigos estão mortos, juntamente com centenas e centenas de outros em todos os Estados Unidos", pode ler-se no parágrafo seguinte.

Emma é um dos estudantes que sobreviveram ao tiroteio ocorrido no Dia dos Namorados no liceu Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, na Florida, quando um ex-aluno entrou na escola com uma AR-15 e matou 17 pessoas. E tornou-se a face mais visível da revolta dos seus colegas e do movimento #NeverAgain com o discurso apaixonado de 11 minutos que fez três dias depois em Fort Lauderdale, no qual criticou Donald Trump e grande parte da classe política por aceitarem donativos da Associação Nacional de Armas (NRA), o poderoso grupo de lóbi defensor da Segunda Emenda e que se opõe a um maior controlo de armas. "Nós vamos ser os miúdos sobre os quais vão ler nos livros da escola. Não porque seremos mais uma estatística sobre tiroteios na América mas porque seremos os últimos", disse a jovem nesse discurso. "Deviam ter vergonha!", foi a sua palavra de ordem. "Nunca pensei que se tornasse viral", contou à revista People. "Foi tão longe e tão rápido. Tenho celebridades a tuitarem sobre mim. Eu só queria que as pessoas sentissem o que eu estava a sentir."

A parte do sentir pode não ter sido alcançada, mas é inegável que as pessoas querem saber o que ela diz e pensa. Emma criou a sua conta no Twitter neste mês, tendo publicado a primeira mensagem no dia 18. Conta já com 1,21 milhões de seguidores, estando entre eles pessoas como Chelsea Clinton, o senador Bernie Sanders e figuras da televisão como Larry King, Jimmy Kimmel e Anthony Bourdain. Uma marca que supera em muito os números da NRA - aderiu ao Twitter em fevereiro de 2009 e apresenta apenas 619 mil seguidores na sua conta principal.

Outra das prioridades da jovem é conseguir que os políticos que recebem dinheiro da NRA não sejam eleitos nas eleições intercalares de novembro. "Esta é uma das maiores missões que temos agora. Não queremos que essas pessoas continuem a mandar em nós. É suposto sermos nós a mandar neles e agora mandam eles e é horrível", declarou à People.

O seu último dia de aulas no liceu Marjory Stoneman Douglas será a 3 de junho. Quatro dias antes do tiroteio, Emma González estava a planear o seu futuro numa visita guiada à New College of Florida, uma faculdade dedicada às artes. E, neste momento, esse continua a ser o seu desejo.

Mas até lá tenciona fazer tudo para que a questão do controlo de armas continue nas notícias, evitando que ela e os seus colegas se transformem numa mera estatística. "Estou a correr contra o esquecimento das pessoas", declarou. "E estamos a correr contra a possibilidade de algo gigante acontecer, como a investigação sobre a Rússia. Apenas posso rezar para que nada aconteça agora que distraia o país de prestar atenção a isto. Estamos muito perto de ser varridos para debaixo do tapete e não podemos deixar que isso aconteça."

Para dia 24 está marcada a March for Our Lives (Marcha pelas Nossas Vidas), organizada por Emma e pelos colegas e que irá realizar-se em várias cidades dos EUA. E têm recebido apoios de peso: Amal e George Clooney fizeram um donativo de 500 mil dólares e anunciaram que vão participar, valor que foi igualado por Oprah Winfrey, Jeffrey Katzenberg e pela Gucci.

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