Esta canção fez história no Spotify (em Português). E o videoclipe está a causar polémica

Racismo e sexismo são algumas das acusações contra o teledisco de "Vai Malandra". Mas também há quem defenda exatamente o contrário

A nova música da brasileira Anitta, lançada na segunda-feira, conseguiu mais de 38 milhões de visualizações no YouTube em apenas cinco dias e tornou-se na primeira canção em Português a entrar no top 20 global do serviço Spotify. Mas o videoclipe de "Vai Malandra" está a gerar polémica, com acusações de apropriação cultural e sexismo. Do realizador ao local onde foi filmado, a favela Morro do Vidigal, passando pela roupa usada e cabelo da cantora, tudo parece dividir opiniões.

Em primeiro lugar, porque o videoclipe foi realizado por Terry Richardson, um fotógrafo que enfrenta várias acusações de comportamento sexualmente inapropriado. Juliana Borges, uma investigadora brasileira, refere num artigo na revista Cláudia que a escolha não podia ter vindo em pior altura, quando "estamos vivenciando um momento tão importante de vozes de mulheres se levantando contra abusos, assédios e violências sexistas na indústria cultural". Até que isso ocorra, defende, "o mínimo que deveríamos fazer é garantir o ostracismo a abusadores".

Segundo o The Guardian, que dá espaço à polémica, Anitta refere que repudia "qualquer tipo de assédio e violência" e que está a analisar as opções legais que pode seguir, depois de ter descoberto as acusações contra Richardson.

Outra crítica é a de que a cantora se apropria da cultura negra, por usar tranças no cabelo e por aparecer mais bronzeada do que o costume. Num artigo para a Marie Claire, uma ativista tenta explicar "por que Anitta incomodou os negros com o clipe", dizendo que o problema é Anitta, que vem de uma família interracial, "usar a negritude quando lhe convém". Há quem lembre, por outro lado, que a cantora saiu da favela e está apenas a usar elementos do seu contexto.

Aliás, para alguns, o facto de ter sido filmado numa favela é uma boa maneira de mostrar outra faceta da cultura brasileira que nem sempre é transmitida: a de que as favelas não são só "corpos ensanguentados, tiros e lágrimas", mas também "música, cor e vida", como diz Bruna Aguiar, estudante universitária e ativista, citada pelo Guardian. Anitta, por seu lado, garante que "se você subir o morro, vai ver tudo isso que mostramos. Nada foi inventado".

A última crítica é a de que o teledisco "objetifica" as mulheres. Anitta explica, em entrevista ao Globo, que a mulher não foi objetificada, mas, pelo contrário, "é dona da história". "E ela não é representada somente por mim, mas por todas as mulheres", argumenta, defendendo que mostra vários "tipos de beleza, com diversas cores, pesos e géneros. E toda essa beleza também é real, assim como a minha celulite".

Também a investigadora Juliana Borges, que criticou a escolha do realizador, defende Anitta quanto a este ponto, considerando que o videoclipe "traz o contexto das favelas e periferias de modo verosímil".

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