Está aberta a guerra contra Sánchez dentro do PSOE

Barões socialistas são contra aliança com Podemos e adiamento de congresso onde será escolhido novo secretário-geral

O clima de tensão dentro do PSOE não é de agora, mas depois de uma trégua por causa das eleições legislativas, e tendo em conta os maus resultados (apesar de serem o segundo partido mais votado, vão ter o grupo parlamentar mais pequeno de sempre), a contestação à liderança de Pedro Sánchez está a fazer-se novamente ouvir. Susana Díaz, a presidente da Andaluzia, região onde os socialistas conseguiram o seu melhor resultado, é a porta-voz destas críticas.

Neste momento, o cerne da contestação são as possíveis alianças pós-eleitorais que poderão levar o PSOE a formar governo - embora os socialistas sejam da opinião de que a iniciativa deve ser para já do PP, o vencedor das eleições. Pedro Sánchez já deixou bem claro que nunca apoiará um executivo de Mariano Rajoy, opinião defendida por todo o partido, mas também já insinuou que não descarta uma aliança com o Podemos. E é aqui que reside o problema - Pablo Iglesias impõe como condição a realização de um referendo na Catalunha, algo que os socialistas rejeitam e que está a levar a movimentações dentro do PSOE para limitar a autoridade de Sánchez para estabelecer coligações.

"As políticas de alianças decidem-se no comité federal do partido", disse Susana Díaz numa entrevista à Cadena Ser transmitida ontem, referindo-se ao facto de Sánchez ter autoridade para comandar as orientações políticas do PSOE, mas caber ao comité federal aprová-las. Ou seja, este órgão, que conta com representantes de todas as federações, se assim o entender, pode chumbar iniciativas do secretário-geral, como uma coligação com o Podemos. A próxima reunião é na segunda-feira.

"O PSOE não pode sentar-se com forças políticas que estão a propor a rotura de Espanha e da soberania", defendeu a presidente da Andaluzia. Aviso também feito por outros socialistas líderes de governos regionais, bem como de federações: Javier Fernández (Astúrias), Emiliano García-Page (Castela-Mancha) e Guillermo Fernández-Vara (Extremadura). "O PSOE deve dizer "não" a Rajoy e falar com os outros sobre os temas nucleares deste país, mas não se pode negociar com o Podemos e outros nada relativo à soberania nacional", afirmou ao El País Javier Fernández.

No entanto, a direção de Sánchez desvalorizou ontem um possível clima de tensão na reunião de segunda-feira. "A prioridade de todos os dirigentes do PSOE, com Pedro Sánchez à cabeça, é o interesse geral dos cidadãos", declarou o porta -voz dos socialistas no Parlamento, Antonio Hernando.

Perigo das eleições antecipadas

Outra questão em que os chamados barões do partido discordam do seu líder tem a ver com a data da realização do congresso, previsto para fevereiro do próximo ano. No dia 21, um dia depois das eleições, Pedro Sánchez anunciou que iria recandidatar-se à liderança do PSOE, mas que pretendia adiar a realização do congresso para a primavera, de forma a que este não interferisse com as negociações pós-legislativas.

Ora, segundo socialistas ouvidos pelo El País, um adiamento do congresso é o que os barões querem evitar, pois se não se realizar em fevereiro, e num cenário de eleições legislativas antecipadas em março, Sánchéz seria o candidato natural do partido, pois ainda ocuparia o cargo de secretário-geral.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG