Espião alemão fazia-se passar por terrorista porque estava aborrecido

Fingiu que estava a planear um atentado terrorista. Foi preso porque tentou divulgar segredos de Estado a outro agente secreto

O agente dos serviços secretos alemães Roque M. foi notícia em vários jornais quando foi detido em novembro, sob suspeita de ser um extremista islâmico que planeava um ataque terrorista contra a sede dos serviços secretos em Colónia, onde trabalhava. Esta terça-feira, o homem de 52 anos foi condenado a um ano de pena suspensa, após ter dito em tribunal que se fez passar por um terrorista porque estava aborrecido.

O homem, casado e com quatro filhos, foi detido após tentar divulgar informações confidenciais que obteve ao trabalhar no Gabinete de Proteção da Constituição (BfV, os serviços secretos internos alemães).

Roque M. acedia a chats islamitas na internet e fazia-se passar por alguém que se tinha convertido ao islão e queria realizar um atentado na Alemanha. Foi apanhado porque, sem se aperceber, começou a falar com um colega, um outro agente dos serviços secretos.

No princípio, as autoridades acreditavam que o suspeito se tinha convertido secretamente e estava a trabalhar com extremistas para recolher informações secretas e planear um grande atentado - o que provocou grande agitação no país -, mas no decorrer da investigação, perceberam que era tudo falso. Os procuradores não encontraram nenhuma prova que ligasse o homem a algum grupo terrorista ou planos de ataque, segundo a AFP.

"Nunca conheci nenhum islâmico. Nunca faria isso. Foi tudo um jogo", disse o suspeito em tribunal. O espião admitiu que entrava nos chats de extremistas islâmicos porque estava aborrecido.

Uma das tarefas do agente no BfV era monitorizar os meios jihadistas na Alemanha, o que o espião considerava "muito divertido", segundo a AFP.

O problema é que durante os fins de semana, quando estava em casa a cuidar do filho que tem uma deficiência, Roque M. ficava aborrecido. Mergulhar no mundo dos extremistas islâmicos era "um escape da realidade".

Durante a investigação, foi revelado também que o espião participou em filmes pornográficos homossexuais no passado. Aliás, Roque M. usava nos chats o mesmo pseudónimo que usava como ator pornográfico.

O espião foi condenado por tentar revelar segredos do estado.

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