Especialista em armas químicas desmente justificação russa 

Rússia disse que aviação síria bombardeou depósito de armas dos rebeldes. Comandante dos rebeldes também desmente

Várias vozes desmentiram publicamente a explicação apresentada pela Rússia para o ataque que matou 72 pessoas na Síria - incluindo um comandante rebelde sírio e um especialista em armas químicas.

O governo de Moscovo afirmou esta manhã que a aviação síria bombardeou um depósito de armas onde os rebeldes guardavam armas tóxicas, atribuindo a culpa do ataque químico para os rebeldes.

Este alegado bombardeamento teria resultado numa libertação de gás que matou esta terça-feira dezenas de civis, incluindo 20 crianças.

Numa entrevista à BBC, Hamish de Bretton Gordon, ex-comandante do regime britânico para armas químicas, biológicas, radiológicas e nucleares, disse que a versão russa dos eventos era "muito fantasiosa" e falsa.

"É bastante claro que foi um ataque com sarin", disse o especialista, esclarecendo depois: "se explodires sarin ele destrói-se". "Sem dúvidas os russos estão a tentar proteger os aliados", disse Gordon.

"A ideia de que se tratava de um armazenamento de sarin da Al-Qaeda ou dos rebeldes que explodiu é na minha opinião completamente insustentável e falsa", continuou, segundo o Guardian.

Penso que isto é muito fantasioso

Um comandante rebelde sírio, líder do grupo pela libertação de Idlib, província afetada pelo ataque químico, disse que as declarações russas eram "mentira".

"Toda a gente viu o avião que estava a bombardear com gás", contou Hasan Haj Ali à Reuters.

"Além disso, todos os civis na área sabem que não há lá posições militares ou locais para fabricar [armas]", explicou, dizendo que os rebeldes não têm meios para tal.

As fações da oposição não têm capacidades para produzir estas substâncias

Os Estados Unidos e outros países culparam publicamente o regime do presidente Bashar al-Assad por estas mortes.

"Todas as provas que vi indicam que foi o regime de Assad e com total conhecimento sobre o uso de armas ilegais, num ataque bárbaro contra as pessoas", disse o ministro dos Negócios estrangeiros britânico, Boris Johnson.

Donald Trump, por sua vez, afirmou que os "atos atrozes" de Al-Assad "são consequência da debilidade e indecisão" demonstradas pelo seu antecessor Barack Obama.

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