Portugal reconhece Guaidó; Bloco teme "banho de sangue"

O governo de Pedro Sánchez reconheceu esta segunda-feira Juan Guaidó como o presidente interino da Venezuela. A Suécia, a França e o Reino Unido também já o declaram. O ministro dos Negócios Estrangeiros português também irá assumir essa posição as 12.00.

O Governo português reconhece Juan Guaidó "como Presidente encarregado de convocar eleições livres e justas na Venezuela", posição que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, explicará numa declaração às 12:00, anunciou o Ministério.

"O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, dá uma conferência de imprensa, hoje, às 12:00, para explicar a posição portuguesa de reconhecimento de Juan Guaidó como Presidente encarregado de convocar eleições livres e justas na Venezuela", escreve o Ministério em comunicado.

Uma posição que já está a ser contestada pelo Bloco de Esquerda. Catarina Martins afirmou esta segunda-feira de manhã que "a atitude da União Europeia pode resultar num banho de sangue" na Venezuela, depois de se saber que Portugal vai reconhecer Juan Guaidó como presidente legítimo daquele país sul-americano.

Falando aos jornalistas na feira de Espinho, numa ação integrada nas jornadas parlamentares do BE, que hoje e amanhã têm lugar no distrito de Aveiro, Catarina Martins recordou que "ainda PSD, PS e CDS negociavam" com o regime de Caracas e "já o Bloco de Esquerda alertava para a deriva autoritária de Nicolás Maduro".

Para a líder bloquista, o BE não acompanha o Governo na sua decisão de reconhecer o presidente da Assembleia Nacional venezuelana como chefe de Estado. "Nem Maduro, nem Guaidó", atirou Catarina Martins, defendendo "uma mediação internacional" para a "realização de eleições livres", "sem ingerências externas nem pressões internas". O que importa, insistiu, "é que se evite um banho de sangue".

Segundo a coordenadora do BE, a pressa em reconhecer Guaidó só interessa às petrolíferas. "Nada disto tem sentido", insistiu, recordando uma vez mais que enquanto sociais-democratas, socialistas e centristas negociavam com os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, o Bloco denunciava a situação política do país.

Espanha, França, Reino Unido... UE apoia Guaidó

O líder do governo espanhol fez a declaração esta manhã de segunda-feira, no Palácio da Moncloa: "O governo de Espanha reconhece oficialmente Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela". Isto precisamente no dia em que termina o prazo de oito dias dado por vários países europeus, incluindo a Espanha, para que Nicolás Maduro convocasse eleições presidenciais, com garantias de serem democráticas.

Pedro Sánchez reconheceu a legitimidade de Guaidó também no Twitter: "Reconheço como presidente interino da Venezuela Juan Guaidó, com um horizonte claro: a convocatória de eleições presidenciais livres, democráticas, com garantias e sem exclusões,

O Governo sueco reconheceu também esta segunda-feira. como presidente interino da Venezuela o líder da Assembleia Nacional e pediu ainda uma solução política e pacífica para a crise no país.

"Nesta situação, apoiamos e consideramos Guaidó como o Presidente interino legítimo", disse a ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Margot Wallström, à televisão pública SVT.

A ministra assegurou que a Suécia "nunca" reconheceu as eleições presidenciais do ano passado, parcialmente boicotada pela oposição e na qual o Presidente Nicolás Maduro venceu, considerando Guaidó como "o único representante legítimo do povo venezuelano".

Guaidó proclamou-se Presidente a 23 de janeiro, depois de considerar que Maduro usurpou o poder. Após a proclamação, Guaidó foi prontamente reconhecido pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A Suécia junta-se a países europeus como França, Reino Unido, Alemanha, Portugal e Espanha, que têm previsto reconhecer hoje Guaidó como Presidente interino da Venezuela, após o término do prazo dado a Maduro para convocar eleições presidenciais.

O Reino Unido reconheceu Juan Guaidó através de um tweet do ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Jeremy Hunt.. "Nicolas Maduro não organizou eleições presidenciais no prazo de oito dias que nós fixámos. Por isso, o Reino Unido e os seus aliados reconhecem a partir de agora @jguaido como Presidente constitucional interino até que possam ser organizadas eleições credíveis", escreveu o chefe da diplomacia britânica.

A Dinamarca foi outro dos países a reconhecer Juan Guaidó, tal como anunciou o o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Anders Samuelsen. "A Dinamarca reconhece o Presidente da Assembleia Nacional @jguaido como o presidente interino da #Venezuela até que novas eleições livres e democráticas ocorram. Aplaudo declarações semelhantes dos principais parceiros da UE [União Europeia]. Declaração importante da UE em breve", escreveu Anders Samuelsen numa mensagem no Twitter.

Rússia ao lado de Maduro

Num sentido completamente oposto, a Rússia rejeitou o ultimato dado pelos países europeus ao Presidente da Venezuela para que convoque eleições e disse que apoiará a iniciativa de mediação de México e Uruguai para a solução da crise na Venezuela.

"Continuaremos a defender o direito internacional, apoiando as iniciativas que forneceram alguns países latino-americanos, como México e Uruguai, que apontam a criação de condições para um diálogo nacional envolvendo todas as forças políticas na Venezuela", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, durante uma visita a Biskek.

O chefe da diplomacia russa também comentou a declaração do Presidente norte-americano - que no domingo disse que o envio de tropas para a Venezuela é "uma opção"-, referindo que as palavras de Donald Trump são um "ataque" aos próprios fundamentos do direito internacional.

Nesse sentido, criticou a posição dos países europeus, que seguem a linha estabelecida por Washington, ao emitirem ultimatos ao Governo do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

"Infelizmente, a partir da Europa, e não da América Latina, impõe-se agora (à Venezuela) um formato de mediação internacional" em que os participantes foram selecionados por critérios que Moscovo desconhece, referindo-se ao grupo de contacto proposto por alguns países europeus.

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