Emigrantes na Escócia partilham sentimento de dupla incerteza

Portugueses querem saber o que acontece se a Escócia sair do Reino Unido e se este, por sua vez, sair da União Europeia.

Viver num território que quer sair de um país e num país que quer sair da União Europeia causa um duplo sentimento de incerteza. E os portugueses que vivem na Escócia não são indiferentes a ele.

É o caso de António Oliveira que vive em Edimburgo há quase três anos. Junto a um café português na capital escocesa, este setubalense admite que de facto, "não é fácil porque há uma certa incerteza quanto ao que o futuro nos poderá trazer aqui." António afirma, porém, que "o espírito escocês, que aqui prevalece muito mais do que o espírito britânico, garante a 100% uma boa receção a qualquer estrangeiro que aqui venha trabalhar" e, por isso, está confiante num bom desfecho.

Mário Gouveia, madeirense, concorda que essa incerteza existe. Este chef de cozinha que veio para Edimburgo há menos de três anos, disse ao DN que entre a comunidade portuguesa há quem receie que uma Escócia independente adira ao euro. "As pessoas ficam com medo de que aconteça o que nos aconteceu em Portugal onde, quando convertemos a moeda, quase tudo duplicou de preço."

No mesmo sentido fala Frederico Freitas, que também veio da Madeira, mas há quase uma década. Em conversa com o DN, este funcionário de um café português admite que a "incerteza é muita e há muita coisa que é preciso esclarecer" em relação a este novo referendo. O português salienta, desde logo, que é importante saber se de facto a Escócia tem ou não hipóteses de "continuar na União Europeia. Temos que ter o OK de Bruxelas mas esse OK ainda não está certo e portanto é mais uma incerteza para o pote das incertezas que nós já temos."

Satya Martin, filho de pais britânicos, nasceu em Portugal, onde viveu até aos 19 anos. Num português fluente confirma ao DN que, de facto, é cada vez mais difícil fazer planos na Escócia. "Já há três anos que estamos num "limbo" entre sair do Reino Unido e sair da Europa e agora, talvez a possibilidade de sair só do Reino Unido e não da Europa, por isso, não temos muitas certezas neste momento."

Entre os portugueses de Edimburgo também há quem compreenda bem o sentimento de muitos escoceses e a sua necessidade de voltar às urnas. Paulo Pedro vive na capital escocesa há sete anos, para onde se mudou depois de viver em França. Para este português natural de Cantanhede, "os referendos são muito positivos". E considera que quem é responsável pela incerteza e instabilidade é o governo britânico. "Foram eles que causaram o problema por causa do referendo do brexit." Paulo Pedro pensa ainda que os escoceses foram "enganados" durante a campanha do primeiro referendo porque lhes foi dito que só ficando no Reino Unido seriam também membros da UE.

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