Economistas estão de acordo: brexit será prejudicial

Aqueles que defendem a saída do Reino Unido da UE dizem que especialistas também eram unânimes sobre benefícios do euro e estavam errados

Poucos temas serão capazes de pôr tantos economistas de acordo como o brexit, pelo menos a avaliar por uma sondagem realizada para o jornal The Observer. Segundo o estudo de opinião em causa - para o qual foram entrevistados mais de 600 especialistas em assuntos económicos - nove em cada dez inquiridos acreditam que a economia britânica será prejudicada caso o Reino Unido abandone a União Europeia (UE).

Esta é, até agora, a maior sondagem realizada apenas junto de académicos e profissionais. "Tendo em conta que estamos a falar de uma profissão conhecida por concordar em muito pouco, é impressionante ver este nível de consenso, seja em que matéria for. Não há dúvida de que estes resultados refletem o nível de consenso que existe entre os economistas sobre os benefícios do comércio livre e, ao mesmo tempo, sobre os custos para o crescimento associados a um clima de incerteza", sublinhou Paul Johnson, diretor do Instituto de Estudos Fiscais.

Ontem, também argumentando em favor da continuidade do Reino Unido na União Europeia, o conservador Tony Blair fez ouvir a sua voz. "O brexit criará um enorme problema económico. Se votarmos para sair da UE sofreremos imediatamente um choque negativo sobre a economia e teremos de enfrentar vários anos de incerteza", afirmou, em entrevista à BBC, o ex-primeiro-ministro.

Os defensores do abandono da UE - como o ex-presidente da Câmara de Londres, Boris Johnson - continuam a classificar este tipo de avisos como alarmistas e recorrem ao passado para argumentar que não vale a pena dar-lhes ouvidos. "Há 15 anos também existia um consenso alargado sobre as vantagens de acabarmos com a libra e aderirmos ao euro. Provou-se que estavam errados nessa altura, tal como estão errados agora", referiu Matthew Elliot,um dos dirigentes da plataforma Vote Leave, em reação à sondagem do The Observer.

É já no próximo dia 23 de junho que os britânicos serão chamados às urnas para, em referendo, decidirem sobre a continuidade do país na União Europeia.

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