Donald Tusk sacode brexit do capote europeu

Presidente do Conselho Europeu admite inclusive permanência britânica. Já Barnier antevê um acordo ao estilo da CETA

A responsabilidade pelo sucesso das negociações para a saída dos britânicos da União Europeia cabe aos Reino Unido. Esta é a opinião do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. "Na realidade, é Londres quem tem a responsabilidade de como isto se vai resolver, com um bom acordo, sem acordo, ou sem brexit", disse o polaco em sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo. "Seja qual for a direção tomada pelas negociações, temos de nos manter unidos. O teste de resistência mais duro está por acontecer. Se falharmos, as negociações terminarão com a nossa derrota", advertiu.

No Conselho Europeu, que decorreu quinta e sexta-feira passadas em Bruxelas, apesar de não se ter dado avanço algum nos temas prioritários, os líderes europeus quiseram enviar um sinal positivo para Londres: foi aprovado o início dos trabalhos jurídicos para as negociações sobre o período de transição após o brexit, previsto para 29 de março de 2019. Esta segunda fase das negociações só é desencadeada após se chegar a acordo sobre as três questões prioritárias (os compromissos financeiros britânicos, o estatuto dos cidadãos da UE no Reino Unido e vice-versa e a fronteira da Irlanda com a Irlanda do Norte).

Entretanto, o chefe da equipa de negociadores da União Europeia, Michel Barnier, aclarou que os britânicos terão de aceitar o quadro jurídico-legal da UE durante o referido período de transição, que, na sua opinião, deveria decorrer de 30 de março de 2019 até ao último dia de 2020. "Não temos tempo para inventar um novo modelo. Assim, por um curto período de tempo após a saída formal da UE, o statu quo económico continuaria a aplicar-se, o que, além do mercado interno inclui também a união aduaneira e as decisões políticas coletivas", disse o dirigente francês ao jornal alemão Handelsblatt. Sobre um futuro acordo comercial, Barnier negou a hipótese de se construir um modelo feito à medida, mas antes um acordo similar ao assinado com o Canadá (CETA), o qual poderá estar pronto em três anos, quando a transição findar.

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