Diretor do centro Anne Frank critica declarações de Trump sobre antissemitismo

Steven Goldstein disse que afirmações são "penso rápido no cancro do antissemitismo" do governo e que o antissemitismo da administração atual é o pior alguma vez visto no poder

O diretor do Centro Anne Frank para o Respeito Mútuo afirmou que a condenação de Trump de atos contra os judeus não foi mais do que "um penso rápido no cancro do antissemitismo que infetou a sua própria administração".

Numa publicação no Facebook, Steven Goldstein, disse que o súbito reconhecimento do presidente das ameaças contra centros judeus "veio tarde e não é suficiente" e que o "antissemitismo desta administração é o pior alguma vez visto em qualquer governo".

Goldstein publicou esta mensagem no Facebook do Centro Anne Frank horas após Donald Trump ter condenado publicamente pela primeira vez os incidentes dos últimos dias que têm como alvo a comunidade judaica. Onze centros comunitários judaicos nos Estados Unidos foram evacuados esta segunda-feira, no feriado do Dia do Presidente, após receberem ameaças de bomba e um cemitério judeu foi vandalizado.

"As ameaças antissemitas contra a nossa comunidade judaica e centros comunitários são horríveis e dolorosas e um triste lembrete do trabalho que ainda deve ser feito para arrancar o ódio, o preconceito e o mal", disse o presidente Trump esta terça-feira à tarde, segundo a Reuters.

"As declarações do presidente são um patético asterisco de condescendência após semanas de atos grotescos e omissões cometidas por ele e pelo seu gabinete que refletem o antissemitismo", escreveu Goldstein, lamentando que a administração e Trump "se tenham recusado a pedir desculpas".

"A Casa Branca recusou-se repetidamente a mencionar os judeus no memorial do Holocausto e teve a audácia de ficar ofendida quando o mundo apontou as ramificações consequentes de negar o Holocausto", continuou o diretor executivo do Centro Anne Frank, que foi fundado em 1959 pelo pai da jovem judia que morreu num campo de concentração nazi.

Este comentário era uma referência ao facto da Casa Branca não ter mencionado nenhum judeu numa declaração no Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, a 27 do ano passado. Esta declaração provocou várias críticas e, em sua defesa, a Casa Branca afirmou que a omissão foi deliberada pois os nazis não mataram só judeus.

"Quando o presidente Trump responder proativamente ao antissemitismo em tempo real e sem súplicas ou pressões, aí sim poderemos dizer que o presidente alcançou uma meta. Esse momento não é agora", concluiu Goldstein.

Várias vozes judaicas têm criticado a administração de Donald Trump. Na sua primeira conferência de imprensa sozinho como presidente, Trump respondeu a um jornalista judeu que questionava o que será feito em relação as ameaças aos centros judaicos com a frase: "Eu sou a pessoa menos antissemita que vai ver em toda a sua vida", acrescentando depois que também é "pessoa menos racista".

Dias antes, ao lado do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, Trump prometeu que o público vai ver "muito amor".

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