Diplomata norte-coreano em Londres foge para Seul

Número dois da embaixada na capital britânica estava desaparecido com a família. Sul-coreanos confirmaram ontem a deserção

Entre janeiro e o final de julho, 814 norte-coreanos desertaram para a Coreia do Sul, mais 15% do que no ano passado. O último a fazê-lo promete ser o que dará mais dores de cabeça a Pyongyang. Thae Yong-ho era o número dois da Embaixada da Coreia do Norte em Londres e desapareceu no início deste mês com a mulher e o filho. Agora, Seul confirma que ele desertou com a família, tornando-o o funcionário de mais alto nível a romper com o regime liderado por Kim Jong-un.

"Estão sob a proteção do governo sul-coreano e vão seguir o processo previsto com as instituições competentes", disse aos jornalistas o porta-voz do Ministério da Unificação de Seul, Jeong Joon-hee. Não foram divulgados os pormenores do itinerário de Thae para fugir de Londres, com o argumento de que é preciso proteger os países envolvidos. "Para justificar a sua deserção, Thae falou no desagrado com o regime de Kim Jong-un, na admiração pelo sistema livre e democrático da Coreia do Sul e no futuro da sua família", acrescentou.

Um de cinco diplomatas na embaixada de Londres, as funções de Thae incluíam manter debaixo de olho os desertores que vivem na capital britânica, mas também refutar as críticas do Reino Unido em relação às violações dos direitos humanos na Coreia do Norte. Estava constantemente em contacto com os jornalistas, argumentando no passado que os britânicos estavam a ser vítimas de "lavagem cerebral" para acreditarem nas mentiras "chocantes e terríveis" sobre o regime de Pyongyang.

Agora, no Sul (tecnicamente ainda em guerra com o Norte), será um importante ativo para as agências de informação, podendo revelar pormenores sobre a estabilidade do regime de Kim Jong-un - que há cinco anos sucedeu ao pai no poder na Coreia do Norte. Para Seul, esta deserção é uma prova da falta de fé da elite norte-coreana no regime.

Thae vivia há dez anos no Reino Unido com a mulher e o filho, que nasceu na Dinamarca, onde o pai tinha estado antes destacado. Um colega de escola disse ao The Guardian que ele estava desaparecido desde o final de julho, tendo apagado toda a sua presença nas redes sociais. No próximo ano ia estudar Matemática e Ciências Informáticas no Imperial College, em Londres, contou.

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