Dilma vai voltar para o bairro da Tristeza em Porto Alegre

Presidente afastada quer regressar à vida de antes. Mas nos próximos seis meses ainda deve fazer tour de comícios com Lula

Como uma metáfora para os sentimentos mistos por que está a passar, Dilma Rousseff vai voltar a viver no bairro da Tristeza, em Porto Alegre, a cidade onde moram a filha, o genro, os dois netos e o ex--marido e onde construiu a maior parte da carreira política. É num apartamento nessa zona nobre da capital estadual mais a sul do Brasil, aliás, que ela já está desde ontem à noite. Mas na quarta-feira voltará ao Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência, para preparar a defesa do impeachment e eventualmente viajar pelo país em comícios ao lado do antecessor Lula da Silva.

Os advogados de Dilma têm cerca de uma semana para apresentar a defesa ao presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, que vai liderar a última fase do processo de impeachment. Como o tempo é curto e José Eduardo Cardozo, ex-advogado-geral da união, tem o discurso oleado, não haverá novidades na argumentação. O objetivo é tentar convencer seis senadores a votar contra o impeachment na sessão decisiva - Dilma precisa de um terço do Senado, 28 membros, do seu lado, mas na quinta-feira só somou 22 votos.

Para tanto, Lula, que está definitivamente sem foro privilegiado na Lava-Jato após a sua exoneração oficial, planeia uma digressão pelo Brasil. Nos últimos dias, os dois, acompanhados de Rui Falcão, presidente do PT, Jaques Wagner e Ricardo Berzoini, ex-ministros da área política, combinaram a estratégia para os próximos seis meses. Mas e se depois dos seis meses de processo Dilma for mesmo destituída, a hipótese, aliás, mais provável?

"Óperas, livrarias...", responde a presidente quando a interrogam sobre por onde vai andar. Consumidora voraz de cultura - escapava sempre uma manhã ou duas a cada viagem oficial para visitar museus, foi assim em São Petersburgo e, há menos de um mês, em Nova Iorque, para desespero dos seguranças - Dilma diz também que tentará, na medida possível, "voltar à vida de antes". Para já tenta acomodar a mãe, Dilma Jane, com quem vivia no Alvorada, num apartamento no mesmo prédio dela. No bairro da Tristeza.

São Paulo

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