Dilma Rousseff: "Querem condenar uma inocente e salvam corruptos"

Presidente do Brasil falou ao país através de um vídeo publicado na internet e publicou um texto na Folha de São Paulo

Dilma Rousseff avisa: "Vivemos dias decisivos para a jovem democracia brasileira." A presidente do Brasil divulgou um vídeo e escreveu um texto publicado na Folha de São Paulo, abordando a crise política que atravessa o país.

No texto, Dilma Rousseff salienta que o país vive "sob a ameaça de um golpe de estado". "Um golpe sem armas, mas que usa de artifícios ainda mais destrutivos como a fraude e a mentira, na tentativa de destituir um governo legitimamente eleito, substituindo-o por um governo sem voto e sem legitimidade", lê-se na Folha de São Paulo.

A presidente brasileira refere que o pedido de impeachment foi aberto sem que tenha "cometido crime de responsabilidade". "Aliás, não cometi crime algum, de nenhum tipo", escreve. Diz mesmo que não teme qualquer investigação e que nunca se opôs ou criou obstáculos. "Querem condenar uma inocente e salvam corruptos."

"Tudo isto faz deste julgamento uma grande fraude. Na verdade, a maior fraude jurídica e política da história de nosso país. Destituir uma presidenta pelo impeachement, sem que ele tenha cometido crime de responsabilidade, é rasgar a Constituição brasileira. Trata-se de um golpe contra a República, contra a democracia e, sobretudo, contra os votos de todos os brasileiros que participaram no processo eleitoral."

Questiona depois se "estes que lideram o golpe permitirão que o combate à corrupção continue". "O que querem dizer quando anunciam a necessidade de impor sacrifícios à população? O governo de salvação que prometem será para salvar o Brasil ou a eles mesmos?"

Já no vídeo publicado pelo Partido dos Trabalhadores na internet, Dilma Rousseff abordou também o tema do "sacrifício à população", afirmando que "querem revogar direitos e cortar programas sociais como a Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida". Refere ainda que "ameaçam até a educação pública" e que "querem abrir mão da soberania nacional, mudar o regime de partilha e entregar os recursos do pré-sal às multinacionais estrangeiras".

Dilma considera que a oposição nunca se conformou com os resultados das eleições em 2014: "O que está em jogo na votação do impeachment não é apenas o meu mandato, que pretendo defender e honrar até o último dia conforme estabelecido na Constituição. O que está em jogo é o respeito à vontade soberana do povo brasileiro, o respeito às urnas."

Realça também que "os derrotados mergulharam o país num estado permanente de instabilidade política impedindo a recuperação da economia com o único objetivo de tomar o força o que não conquistaram nas urnas".

A Câmara dos Deputados pronuncia-se amanhã sobre o pedido de impeachment a Dilma Rousseff. Para passar, este precisa dos votos favoráveis de pelo menos 342 dos 513 deputados. À presidente bastam 192 votos para anular o impeachment. Se passar na Câmara dos Deputados, o pedido de destituição segue depois para o Senado. Aí são necessários 41 votos (em 80) para aprovar o impeachment.

Em caso de destituição de Dilma, será o seu vice-presidente, Michel Temer, do PMDB, a assumir a presidência.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG