Dilma rejeita acusação de ter tentado bloquear a operação Lava Jato

Presidente garante que as acusações são "levianas e mentirosas"

A Presidente brasileira, Dilma Rousseff, rejeitou hoje as acusações feitas pelo senador Delcídio do Amaral de estar a tentar bloquear a investigação Lava Jato, considerando-as levianas e mentirosas.

Falando na apresentação de um plano de financiamento para agricultores, no Palácio do Planalto, em Brasília, Dilma Rousseff comentou o anúncio de um pedido de investigação pela Procuradoria-Geral da República depois de o senador ter acusado a chefe de Estado de tentar bloquear a investigação judicial Lava Jato, que investiga desvios na Petrobras.

"Tenho certeza que a abertura do inquérito vai demonstrar apenas que o senador, mais uma vez, faltou com a verdade. Acho que a acusação dele é bastante precária", disse a chefe de Estado brasileira, reagindo ao pedido de investigação sigiloso, feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O procurador solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para apurar se a chefe de Estado, o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, tentaram obstruir a Justiça e as investigações da Operação Lava Jato.

A decisão de Janot tem por base gravações telefónicas de Lula da Silva e as denúncias feitas pelo senador numa delação premiada (acordo de cooperação com a Justiça em troca de redução da pena).

No seu depoimento, o senador, atualmente sem partido mas que havia eleito pelo Partido dos Trabalhadores (PT), acusou a Presidente de ter nomeado, no ano passado, o juiz do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marcelo Navarro para barrar o avanço da Operação Lava Jato, que apura desvios na Petrobras.

"Acredito que é necessário investigar de onde surgem essas afirmações do senador e comprovar", afirmou a Presidente.

Dilma Rousseff também lamentou e criticou a fuga deste pedido de investigação para a imprensa dias antes do Senado (câmara parlamentar alta) julgar o andamento de um processo de 'impeachment' que, se for aceite, pode tirá-la do cargo por pelo menos 180 dias.

"Esses vazamentos têm uma característica. Você vaza. Depois, se caracterizar que nada há, o dano já foi feito. O que querem com isso? Querem o dano feito. Sempre fui a favor de investigações. E quero que essa seja investigada a fundo, inclusive quero saber quem é o autor ou autores do vazamento", completou.

A chefe de Estado está acusada de crime de responsabilidade por ter, supostamente, executado manobras fiscais e autorizado despesas sem autorização do Congresso.

Se esta denúncia for aceite no Senado e o órgão condene Dilma Rousseff, Michel Temer assumirá a Presidência da República até 01 de janeiro de 2019.

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