Detidos polícias acusados de espancar produtor musical negro em Paris

Episódio de violência policial está a causar indignação em França e mereceu já a reprovação de Emmanuel Macron, que se afirmou "muito chocado"

Quatro polícias franceses foram detidos para interrogatório esta sexta-feira, na sequência da divulgação de um vídeo que se tornou viral nas redes sociais e que mostra os agentes em causa a espancar um produtor de música negro em Paris. Um episódio que está a gerar indignação ao mais alto nível em França, com reações críticas de várias personalidades, desde o presidente Emmanuel Macron a membros do governo e muitas celebridades.

Os polícias, que foram suspensos do cargo, foram detidos pela Inspetoria Geral da Polícia Nacional (IGPN) e os promotores abriram uma investigação sobre abuso de autoridade e falso testemunho, disse uma fonte à Agência France-Presse (AFP).

Três dos quatro agentes são suspeitos de "violência com motivo racista" cometida intencionalmente em grupo, disseram os promotores. O quarto está a ser interrogado por suspeita de uso de violência, mas não é acusado de racismo.

Também a Presidência francesa afirmou esta sexta-feira que Emmanuel Macron está "muito chocado" com o vídeo do espancamento do produtor musical por vários polícias, naquela que foi a primeira reação oficial do chefe de Estado sobre este caso polémico.

O caso surgiu quando o portal na Internet Loopsider publicou imagens que mostram um homem negro, identificado como "Michel", a ser espancado por polícias à entrada de um estúdio de música em Paris.

A vítima apresentou queixa na sede da Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN), na capital francesa, e na quinta-feira foi anunciado inicialmente que três agentes da polícia tinham sido suspensos de funções.

Uma fonte do Ministério Público de Paris citada pela agência France Presse (AFP) precisou esta sexta-feira que os agentes suspensos e atualmente investigados eram quatro e que seriam ouvidos esta sexta-feira sob regime de custódia policial.

Os quatro homens são interrogados nas instalações da IGPN, a entidade responsável pelo inquérito aberto desde terça-feira por alegadas ofensas raciais e agressões físicas.

Segundo a AFP, que cita uma fonte governamental, o Presidente francês recebeu na quinta-feira o ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, e durante o encontro pediu-lhe que fossem assumidas sanções muito claras contra os agentes envolvidos no caso.

Após esta reunião, Gérald Darmanin anunciava na televisão francesa que tinha pedido a exoneração dos agentes.

No Eliseu (sede da Presidência francesa), o diretor do gabinete de Emmanuel Macron, Patrick Strzoda, recebeu na quinta-feira a ativista dos Direitos Humanos Claire Hédon, de acordo com outra fonte citada pela AFP, que sublinhou que o chefe de Estado francês deseja um apaziguamento.

Este caso surge depois da aprovação, na terça-feira, pela Assembleia Nacional (câmara baixa do parlamento francês) de um controverso projeto-lei sobre "segurança global" que prevê, nomeadamente, punir a divulgação maliciosa de imagens das forças policiais, disposição que está a gerar igualmente fortes críticas por parte de jornalistas, defensores das liberdades e dos direitos civis e da oposição.

A adoção deste texto pelos deputados da Assembleia Nacional surgiu um dia depois da polícia de Paris ter desmantelado um acampamento improvisado de migrantes no centro da capital francesa, na noite de segunda-feira, e de ter recorrido à força, a gás lacrimogéneo e a granadas atordoantes para dispersar as pessoas.

A procuradoria de Paris abriu duas investigações por suspeitas de "violência" de polícias contra um migrante e um jornalista.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG