Cabelo de Julen encontrado no poço. "Restos biológicos" analisados pela Guarda Civil

Equipas de resgate localizaram restos no primeiro dia de buscas. Representante do governo diz que ADN confirma tratar-se de cabelo de Julen. Pai ainda terá tocado nos braços do filho, no momento em que caiu no poço.

As equipas de resgate localizaram "restos biológicos" no poço de mais de 100 metros de profundidade em Totalán, Málaga (Espanha), onde caiu o pequeno Julen Jiménez no domingo à tarde. Acredita-se que "provavelmente são de Julen", avança o jornal El País. Estes restos serão analisados num laboratório para o confirmar, informou a Guarda Civil, citada pelo jornal.

Entretanto, Alfonso Rodríguez Gómez de Celis, representante do Governo na Andaluzia, garantiu à rádio Cadena SER que estes restos biológicos encontrados são cabelo e de Julen e foram detetados no primeiro dia das buscas. "Encontrou-se um pouco de cabelo no poço e as provas de ADN feitas pela Guarda Civil certificam que são do menino. Dá-nos uma certa garantia de que o menino está ali no poço", explicou Gómez de Celis.

Já na manhã desta quarta-feira, o jornal El Español avançou que o corpo de Julen tinha sido localizado a 73 metros de profundidade, mas a informação foi desmentida minutos depois pela delegação do governo de Málaga.

O trabalho de resgate da criança de dois anos prossegue, com os técnicos a procurarem cavar com rapidez e segurança uma maneira alternativa de alcançar a criança que, segundo os seus pais, resvalou pelo poço estreito quando corria a apenas dois ou três metros deles.

O pai de Julen ainda tentou agarrá-lo no momento da queda da criança, relatou um amigo próximo da família ao jornal El Español. "Foi uma pena. O pai está arrasado, imagine. Ele estava prestes a salvar o seu filho, mas...", e o amigo suspende a frase.

Este "mas" é o que se sabe desde domingo à tarde: Julen (que inicialmente a comunicação social espanhola identificou como Yulen) desapareceu no estreito poço de 25 centímetros de largura e uma profundidade estimada de 110 metros, quando a família passeava na região.

"O menino caiu de pé, com os braços para cima. Foi o seu pai que o viu cair", contou o amigo de El Palo, o bairro de Málaga onde vivem os pais da criança. "Ele tentou agarrá-lo, colocou os braços para agarrá-lo, mas não conseguiu fazer nada e o menino deslizou para o fundo. O pobre José ainda chegou a tocar nas mãos do seu menino."

Fontes da Guarda Civil confirmaram ao El Español este relato, dizendo que o pai manteve esta mesma versão desde o primeiro momento.

"Eu disse-lhe que não se preocupasse, que o irmãozinho iria ajudá-lo", confessou José ao Canal Sur por telefone. O pai referia-se a outro filho, mais velho que Julen, que morreu também aos 2 anos, em 2017, com uma deficiência cardíaca.

O desespero da família e amigos é grande, desabafa o homem de El Pablo. "Ali em cima não se faz nada. Estamos cansados de ver que não se avança", protesta o amigo.

Cada segundo conta. Segundo o El País, que explica o que se sabe do resgate da criança, estão a ser escavados dois túneis, um paralelo ao poço e outro oblíquo e na horizontal, como explicou Gómez de Celis.

Espera-se que esses buracos sejam concluídos até ao final da tarde de quinta-feira (em 48 horas, desde a tarde de terça-feira). A ligação final entre o túnel horizontal e o poço será feita de forma manual, por uma equipa de oito especialistas em resgate de minas que viajaram das Astúrias.

Para determinar por geolocalização onde o poço subterrâneo passa, dois técnicos da empresa sueca Stockholm Precision Tools AB juntaram-se à operação de resgate. Foram especialistas desta empresa que determinaram em 2010 o local onde 33 mineiros chilenos ficaram presos por cerca de dois meses (e todos foram resgatados com vida).

[notícia atualizada às 8.30 com a informação sobre os "restos biológicos"]

Mais Notícias

Outras Notícias GMG