"Dentro das prisões quem manda é o crime, o Estado nada pode fazer"

Para Rafael Alcadipani, especialista em Segurança Pública da Fundação Getúlio Vargas, PCC e CV são organizações comparáveis à máfia italiana e aos cartéis colombianos e mexicanos mas com métodos mais agressivos

Como começou esta guerra?

São vários os motivos da guerra entre o PCC e o CV. Tudo começa porque os dois, um partindo de São Paulo e outro do Rio, começaram a expandir os seus negócios para o Norte e o Nordeste do Brasil. E, como acontece em qualquer ramo de negócio, as maiores empresas querem comprar os concorrentes menores para aumentarem a faixa de mercado. Ora PCC e CV, o primeiro um pouco maior do que o segundo, começaram a disputar essas menores empresas do crime e esses mercados. Além disso, a tentativa de domínio do tráfico na fronteira entre Brasil e Paraguai, que culminou com a morte do líder local, criou outro foco de conflito.

Para quem não conhece os métodos, com quem se podem comparar PCC e CV?

São mais comparáveis à máfia italiana pela consistência e enraizamento no país mas com métodos mais agressivos. Não que a máfia italiana não seja tradicionalmente agressiva mas a magnitude dos crimes aqui é maior. Tem qualquer coisa de semelhante com os cartéis colombianos e talvez mexicanos mas nesse caso talvez menos violento.

O Estado tem condições para combater estas organizações?

Dentro das prisões quem manda, domina e organiza tudo já é o crime, o Estado nada pode fazer. Agora se isso se pode refletir do ponto de vista externo, se a guerra se pode alastrar para fora das quatro paredes das prisões, penso que não. Até porque não é bom para ninguém, o crime organizado tenta fazer o seu trabalho da forma mais discreta possível, guerras entre eles ou guerras com a polícia acontecem apenas em situação limite, como a atual.

Marcola, o líder do PCC, chegou a desmentir o governador Geraldo Alckmin, quando este se gabou da diminuição do crime em São Paulo. Segundo ele, a diminuição do crime no estado deveu-se a ordens do PCC e não ao governo de Alckmin.

Sim, acredita-se que pelo menos 30% da diminuição dos números do crime no estado de São Paulo são responsabilidade da ação dos criminosos - ou, dito de outra forma, da inação deles - e não da ação das autoridades.

Mas o crime tem pretensões de entrar na política?

Um deputado estadual de São Paulo [Luiz Moura, que chegou a ser condenado a 12 anos de prisão por assaltos a supermercados na juventude], da região de Ferraz de Vasconcelos [cidade de 192 mil habitantes a 27 km de São Paulo], tinha ligações conhecidas ao PCC. E a organização também investe em cursos de Direito para os seus membros para tentar ganhar influência no mundo jurídico.

Em São Paulo

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