De Moscovo para Bruxelas: um duro para negociar o brexit

Tim Barrow é o novo líder da representação do Reino Unido junto da UE. Uma seleção feita em contrarrelógio por Theresa May depois da saída abrupta de Ivan Rogers

Tim Barrow, até agora diretor político do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, vai assumir na próxima semana o posto de embaixador do Reino Unido na União Europeia, em Bruxelas, depois da abrupta saída de Ivan Rogers, que na sua carta de despedida disse aos funcionários que deveriam "falar verdade aos que estão no poder".

A escolha de Barrow, com 30 anos de carreira diplomática, poderá desapontar alguns defensores do brexit, que gostariam de ver um eurocético no cargo - o embaixador não é conhecido por ter uma posição pública assumida sobre o assunto. Aliás, o comentário de Nigel Farage, um dos rostos do brexit, é exemplo disso mesmo: "É bom ver que o governo substituiu um diplomata de carreira... por um diplomata de carreira", escreveu no Twitter.

Num comunicado divulgado na quarta-feira pelo gabinete de Theresa May, Barrow disse estar ansioso por fazer parte do departamento criado para supervisionar a saída da União Europeia, "para garantir que obteremos o resultado certo para o Reino Unido". O gabinete da primeira-ministra descreveu-o como "um negociador experiente e duro, com uma vasta experiência de garantir os objetivos do Reino Unido em Bruxelas".

Os opositores de May defendem que a saída de Rogers vai privar o Reino Unido de conhecimentos cruciais sobre a Europa numa altura em que eram mais precisos. Já os defensores do brexit descreveram os comentários de Rogers como um amuo e referem que ele deveria ser substituído por alguém com uma visão mais positiva sobre as perspetivas do Reino Unido fora do bloco.

"Ele não é apenas um diplomata de carreira altamente qualificado, mas também uma pessoa que sabe ouvir, perceber e relatar com confiança o que os outros países europeus dizem. Ele tem a capacidade de ficar ao lado dos políticos, sem entrar em jogos políticos", disse ao The Guardian Douglas Alexander, que foi secretário de Estado para a Europa do governo de Tony Blair.

Fonte da representação do Reino Unido em Bruxelas disse ao Politico que Barrow tem "uma grande personalidade" acompanhada de uma "mente muito acutilante".

Passagem pela Ucrânia

Tim Barrow, de 52 anos, casado e com quatro filhos, começou a trabalhar no Ministério dos Negócios Estrangeiros em 1986, tendo estado no Departamento da Europa Ocidental nos dois anos seguintes.

O seu conhecimento de russo, que adquiriu entre 1988 e 1989, moldou algumas etapas da sua carreira: entre 1990 e 1993 foi segundo secretário da embaixada do Reino Unido em Moscovo, local onde regressou como embaixador de 2011 a 2015. "Estou muito satisfeito por regressar à Rússia. Tenho boas memórias de trabalhar em Moscovo no início dos anos 1990. Estou ansioso por conhecer outra vez este vasto e dinâmico país e continuar a desenvolver as relações entre os nossos dois países", declarou Barrow na altura da sua nomeação. Em 2006, foi nomeado embaixador britânico na Ucrânia, posto que ocupou por dois anos.

Bruxelas não é também um meio desconhecido para Tim Barrow - foi primeiro secretário da Representação do Reino Unido na União Europeia (que agora vai liderar) entre 1996 e 1998, diretor assistente no serviço diplomático da UE (2003--2005), representante do Comité de Política e Segurança da UE e embaixador britânico para a União da Europa Ocidental (2006-2011).

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