Das ruas a Merkel e Macron, todos em Davos contra Trump

Presidente francês foi a estrela do segundo dia do encontro de líderes políticos e dirigentes económicos na Suíça. Donald Trump viaja acompanhado por delegação de alto nível.

"É o símbolo das políticas que são necessárias". Foi com estas palavras que o fundador do Fórum Económico Mundial, Klaus Schwab, apresentou Emmanuel Macron, antes da intervenção do presidente francês nesta reunião anual que termina amanhã em Davos, na Suíça.

A intervenção de Macron foi o ponto alto do segundo dia da edição de 2018 do Fórum, e o líder francês esteve à altura das expectativas. Advogou uma estratégia que permita à Europa ser "uma nova potência" face aos EUA e China e, falando primeiro em inglês e depois em francês, pediu "um novo contrato mundial" para neutralizar os efeitos perniciosos da globalização.

Numa intervenção de 45 minutos, Macron detalhou as reformas feitas em França e chamou a atenção para "a absoluta necessidade" da cooperação internacional para "vencer os grandes desafios do nosso tempo" como o terrorismo e a ecologia, referência crítica à decisão do presidente Donald Trump em desvincular os EUA do Acordo do Clima de 2015, assinado em Paris. E garantiu que a "França está de volta".

Antes do presidente francês, falara a chanceler alemã, Angela Merkel, que pôs a tónica na crítica ao "isolamento" e ao "protecionismo, que não são a resposta" aos desafios atuais, referência óbvia às políticas de Trump. Para prosseguir com mais críticas: "estamos a assistir a um surto de nacionalismo, de populismo e, em grande número de países, vive-se uma atmosfera polarizada".

Em sentido semelhante pronunciou-se o chefe do governo italiano, Paolo Gentiloni, para quem "se pode defender e proteger os seus concidadãos, os seus trabalhadores, as suas empresas, mas vivemos no quadro de acordos de comércio de livre troca (...), de decisões multilaterais e devemos fazer funcionar esse sistema". Outras vozes, desde o início do Fórum na terça-feira, como os chefes dos governos indiano, Narendra Modi, e canadiano, Justin Trudeau, ou o presidente brasileiro, Michel Temer, criticaram o protecionismo. Nas ruas, o ambiente é de contestação não só contra Trump, mas contra o próprio Fórum, estando a decorrer manifestações, todos os dias em Davos e nas principais cidades helvéticas.

No coro de reparos críticos às políticas da Administração Trump, ergueu-se uma voz dissonante em Davos, a de Tidjane Thiam, presidente do banco Crédit Suisse, para quem "a experiência ensina que nunca se deve apostar contra os EUA - não é uma estratégia que leve à vitória", disse o banqueiro, elogiando a reforma fiscal do presidente americano e o bom desempenho da economia deste país.

A interrogação que pairava ontem sobre as palavras de Trump, que fala nesta sexta-feira, era qual o tom da sua intervenção. Para o diretor da empresa de relações públicas Edelman, Richard Edelman, o presidente americanos "será agressivo. É por essa razão que Trump vem" a Davos naquela que é a primeira vez, desde 2000, que um líder dos EUA está presente no Fórum. E acompanhado por uma delegação ao mais alto nível, integrando dez responsáveis da sua Administração, entre os quais Jared Kuchner, genro e conselheiro especial, e os secretários do Tesouro e do Comércio, respetivamente Teve Mnuchin e Wilbur Ross. Estes dois, que já estão em Davos enquanto o presidente apenas chega hoje, sustentaram ontem que as medidas aprovadas em Washington não são contrárias ao comércio internacional e à mundialização.

Aquilo que o presidente Trump está a fazer "é preocupar-se com os trabalhadores e os interesses americanos, da mesma forma que ele vê os dirigentes de outros países preocuparem-se com os seus", disse Mnuchin enquanto, num tom mais vitriólico, Ross salientou que "muitos países são excelentes a discorrerem sobre o comércio livre, mas praticam, na realidade, um protecionismo extremo".

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