Da série na Netflix ao museu: jovens tailandeses ficaram presos na gruta há um ano

Na segunda-feira, os 12 jovens futebolistas da equipa Wild Boars que tinham entre 11 e 16 anos e o antigo treinador vão participar num ritual budista junto à entrada da gruta onde estiveram 18 dias presos.

Há um ano, 12 jovens jogadores do clube de futebol Wild Boars e o seu treinador entravam na gruta Tham Luang, na Tailândia, e depressa ficavam presos pela subida do nível das águas, alimentadas pelas monções. Só seriam encontrados dez dias depois, por dois mergulhadores britânicos, tendo sido necessário mais oito dias para que todos fossem resgatados numa operação que foi transmitida em direto para todo o mundo.

Transformados em heróis nacionais da Tailândia, os jovens que tinham entre 11 e 16 anos e o treinador de 25 procuram um ano depois voltar à normalidade no meio da fama, que já levou 1,3 milhões de pessoas a visitar o museu junto à gruta onde ficaram presos. A Netflix já tem prevista uma minissérie sobre o resgate, no qual um mergulhador tailandês perdeu a vida, e em setembro deve estrear um filme sobre eles.

Para assinalar o primeiro aniversário do início da provação, haverá uma corrida na Tailândia e, na segunda-feira, tanto os rapazes como o treinador vão participar num ritual budista junto à entrada da gruta.

"Agora as crianças estão bem, vão à escola normalmente", disse o porta-voz do primeiro-ministro tailandês, tenente-general Weerachon Sukhontapatipak, que é o responsável pelo comité governamental criado para proteger os interesses das crianças. "Depois de terem ficado presos na gruta, dizem que ganharam muita experiência. Foi algo importante", acrescentou.

Os jovens, membros da equipa de futebol Wild Boars, entraram na gruta no dia 23 de junho de 2018, só sendo localizados pelos dois mergulhadores britânicos a 2 de julho. Sobreviveram no escuro, sem comida, bebendo a água que era filtrada pelas paredes da gruta, graças à meditação. Foram resgatados entre 8 e 10 de julho, um a um, pelos mergulhadores, que tinham que percorrer um caminho de quatro quilómetros debaixo de terra. Para facilitar o processo, já que não sabiam nadar, foram sedados.

Depois do resgate e de terem participado num retiro budista, os jovens voltaram à escola, à procura de alguma normalidade, apesar dos milhares de seguidores nas redes sociais. Já o treinador tem agora a sua própria academia de futebol em Mae Sai, onde vive. Três dos jovens e o treinador, que eram apátridas porque pertenciam a minorias étnicas, receberam a cidadania tailandesa alguns meses depois de serem resgatados

Pelo menos dois livros foram publicados sobre os jovens que, graças ao sucesso, foram convidados a visitar o Reino Unido para ver um jogo do Manchester United, em outubro, e estiveram nos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires, onde jogaram uma partida amigável de futebol e foram entrevistados para o programa da Ellen DeGeneres.

Série na Netflix e filme

No final de abril, os jovens assinaram um acordo com a Netflix, que produzirá uma minissérie sobre o salvamento. O projeto ainda está na fase de produção, devendo ser realizado pelo realizador norte-americano Jon M. Chu (por detrás do sucesso "Crazy Rich Asians") e o tailandês Nattawut Poonpiriya. Há rumores, não confirmados, de que cada um dos rapazes terá recebido o equivalente a 85 mil euros pelo negócio.

"A Tailândia é um mercado muito importante para a Netflix e estamos desejosos de contar esta inspiradora história local, que teve implicações mundiais", indicou na altura do anúncio da parceria Erika North, da Netflix.

Outro filme, chamado "The Cave" (A Gruta), produzido pelo realizador Tom Waller (de dupla nacionalidade tailandesa e irlandesa), que inclui 300 atores e extras locais e internacionais. Espera-se que estreie em setembro.

Por obrigações contratuais com a SK Global, que está por detrás do filme da Netflix, os rapazes e o treinador não podem falar com os jornalistas. Os pais formaram uma empresa, a 13 Tham Luang (o nome da gruta onde ficaram presos), que cuida dos direitos de imagem de todos.

"Tenho muito orgulho dele. Ele não mudou. Ainda quer ser jogador de futebol. Quando volta da escola encontra-se com os velhos amigos e eles ainda jogam juntos, como uma equipa", disse Thanaporn Promthep, mãe de Duangpetch Promthep, de 14 anos, citados pelo Canberra Times.

"Os rapazes ainda são os mesmos apesar de as suas vidas terem mudado completamente. Ainda obedecem aos treinadores. Ninguém exibe a sua fama. Somos como irmãos", disse um dos treinadores da equipa dos Wild Boars, Pichai Apichai. "Estamos a fazer tudo o que podemos para manter as coisas o mais normal possível. Eles não recebem um tratamento especial e ninguém fala do incidente na escola", indicou o diretor da escola onde cinco dos rapazes estudam.

Turistas atraídos à gruta

A gruta, na província de Chiang Rai, tornou-se numa atração turística. No local foi construído um museu dedicado ao resgate que inclui uma estátua de bronze do mergulhador tailandês Saman Kunan, que morreu durante as operações, assim como um mural intitulado "Os heróis", que inclui além dos jovens e dos socorristas, o primeiro-ministro Prayut Chan-O-Cha.

Por alguns dólares, os turistas podem ter uma fotografia emoldurada no local, comprar um póster de qualquer dos jovens futebolistas e levar uma T-shirt de recordação. Algumas têm o rosto de Saman Kunan, outras o nome da gruta Tham Luang.

Nos dias da semana, centenas de turistas (a maioria da Tailândia) visitam o museu e a zona, que ao fim de semana já chegou a receber mais de mil pessoas. Segundo a agência francesa AFP, pelo menos 1,3 milhões de pessoas já visitaram o local -- antes dos eventos, as grutas eram visitadas por cinco mil pessoas por ano.

Um número que deverá subir em flecha quando a própria gruta, que continua fechada por razões de segurança, reabrir. "Mal posso esperar pela abertura da gruta para a poder explorar. Quero ver como é que é", disse uma turista.

Previsto está um investimento de 50 milhões de baht (1,4 milhões de euros), que inclui um centro comercial, restaurantes, hotéis e vários parques de campismo fora do parque.

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