Cuba realiza exercícios militares para proteger-se do "inimigo"

Exercícios foram anunciados na primeira página do principal jornal do país um dia após a eleição de Donald Trump

Cuba anunciou esta quarta-feira que vai fazer uma série de manobras militares a nível nacional como forma de preparação contra "ações do inimigo". A medida, que vai pôr o exército e outras forças de segurança a realizarem exercícios com recurso a táticas de guerra, foi anunciada um dia depois de ser anunciada a vitória de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.

É a sétima vez que Cuba lança este tipo de exercícios militares, conhecidos como os "Bastión 2016"; a primeira vez foi em 1980, após a eleição do presidente americano Ronald Reagan, segundo a AP.

Os exercícios militares vão decorrer entre os dias 16 e 20 de novembro e foram anunciados pelas Forças Armadas de Cuba a letra vermelha na primeira página do Granma, o jornal oficial do Partido Comunista de Cuba e o principal do país.

O exército, o ministério do Interior e todas as outras forças de segurança vão participar nos treinos de manobras bélicas, informou o mesmo jornal. Para deixar a população sob aviso, o governo explicou que os treinos incluem "movimento de tropas e material de guerra, voos [da força aérea] e explosões, nos casos necessários".

De acordo com a Efe, Cuba não convocava um treino militar deste tipo desde o exercício "Bastión 2013", que ocorreu um ano antes do início da retoma das relações entre Havana e a Washington.

O governo cubano não estabeleceu nenhuma relação com o resultados das eleições norte-americanas mas os especialistas temem que vitória de Trump tenha sido um golpe duro para as relações entre os dois países, segundo a AP.

O presidente Barack Obama iniciou uma estratégia de aproximação a Cuba, restabelecendo as relações diplomáticas entre as duas nações, que Donald Trump prometeu reverter. Durante a campanha, o candidato republicano afirmou que não poderia haveria maior abertura até o presidente cubano Raúl Castro conceder maiores liberdades políticas.

Nos últimos meses, vários cubanos afirmaram que temiam a possível vitória do republicano pois isso significaria que iriam perder as melhoras que sentiram nos últimos tempos em termos económicos. A reabertura das relações entre Estados Unidos e Cuba aumentou o turismo na ilha e os negócios com empresários estrangeiros.

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