Croácia homenageia general que se suicidou no tribunal de Haia

Mais de duas mil pessoas, incluindo os ministros da Defesa e dos Veteranos de Guerra, e ex-combatentes da Bósnia-Herzegovina, assistiram à homenagem. Para muitos croatas, Slobodan Praljak é um herói nacional

O general croata bósnio Slobodan Praljak, condenado por crimes de guerra e que se suicidou no tribunal de Haia, foi homenageado em Zagreb na presença de membros do Governo croata e do exército.

Praljak, de 72 anos, tinha sido condenado por crimes de guerra cometidos contra muçulmanos bósnios em 1993 e 1994 na Bósnia-Herzegovina. Cometeu suicídio em 29 de novembro, ao ingerir cianeto, quando o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ) confirmou, numa sessão de apelo, a sua sentença de 20 anos de prisão.

Mais de duas mil pessoas, incluindo ex-combatentes da Bósnia-Herzegovina, assistiram à homenagem organizada pela Associação de generais croatas em Vatroslav Lisinski, uma das principais salas de concertos da capital croata.

À entrada, os participantes fizeram uma fila para poder assinar o livro de condolências, refere a agência noticiosa Efe. Muitos deles saudaram à passagem Dario Kordic, outro ex-combatente das forças croatas bósnias e sentenciado a 25 anos de prisão pelo TPIJ como responsável pelo assassinato de mais de 100 civis.

Após cumprir dois terços da sua condenação regressou à Croácia onde, tal como Praljak, é considerado por muitos um herói nacional.

Entre a assistência encontravam-se os ministros croatas da Defesa e dos Veteranos de Guerra, juntamente com altos responsáveis da conservadora União Democrática Crosta (HDZ), o partido do primeiro-ministro Andrej Plenkovic.

Apesar de não ter assistido à cerimónia, o chefe do Governo croata considerou há duas semanas que o suicídio de Praljak se deveu à "injustiça" contra o povo croata.

Nos diversos discursos, incluindo o protagonizado por Miroslav Tudjman, filho do primeiro presidente croata Franjo Tudjman (no poder entre 1990 e 1999), o condenado foi apresentado como uma vítima de um tribunal politizado, que acusou croatas para equiparar o nível de culpa entre os distintos povos balcânicos, e que utilizou provas falsas.

"Extraordinária personagem", "pessoa com vontade de ferro", "alguém com coração aberto e alma pura" que "salvou o seu povo de ser expulso do território onde viveu durante séculos", foi a definição de Praljak emitida pelo general na reforma Pavao Miljavac, ministro da Defesa da Croácia entre 1998 e 2000 e presidente da Associação de generais croatas.

Na sua deliberação, o TPIJ conclui que Praljak, na qualidade de comandante do Conselho de Defesa Croata (HVO) da Bósnia-Herzegovina, foi responsável de crimes contra a humanidade, violação das leis e costumes da guerra e de graves violações das Convenções de Genebra de proteção das vítimas de conflitos.

Segundo o veredito do TPIJ, Praljak serviu de ligação entre os líderes da Croácia e os chefes da "Herzeg-Bosna", a entidade rebelde croata da Bósnia que através de operações de limpeza étnica tentou garantir um território com larga maioria de população croata para uma eventual união com a vizinha Croácia.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG