Crise no Sudão: forças de segurança abrem fogo sobre manifestantes

O Sudão vive uma escalada de violência. Forças de segurança tentaram dispersar com munições reais um protesto de longa duração junto do Ministério da Defesa, no centro de Cartum.

Uma associação médica próxima dos manifestantes disse que pelo menos cinco pessoas foram mortas e mais de 60 ficaram feridas no ataque à manifestação no centro da cidade. Mas há outras testemunhas que falam já em 10 mortos.

A notícia da repressão desencadeou distúrbios esporádicos em torno de Cartum. Milhares de manifestantes bloquearam a estrada com pedras e pneus em em chamas em Omdurman, a cidade vizinha da capital do Sudão. O fumo invadiu vários locais de Cartum e pelo menos uma ponte sobre o Nilo ficou bloqueada com pneus queimados.

Os protestos têm sido motivados por uma campanha para levar reformas democráticas ao Sudão, que é governado por um comité militar desde a queda do ditador Omar al-Bashir em abril. Testemunhas dizem que as forças de segurança, pertencentes às temidas Forças de Suporte Rápidas (RSF), cercaram e entraram em hospitais, disparando armas, espancando equipas médicas.

"Os manifestantes em protesto diante do comando geral do Exército enfrentam um massacre numa tentativa traiçoeira de dispersar o protesto", disse a Associação de Profissionais do Sudão, grupo que liderou os protestos que começaram em dezembro em todo o país

Imagens ao vivo, transmitidas por estações de televisão árabes, mostraram tendas usadas pelos manifestantes em chamas, enquanto outros fugiam do local. Houve relatos de tiros contínuos no local do protesto, que fica frente ao Ministério da Defesa e em outras zonas de Cartum. Uma testemunha que mora no bairro de Buri, no leste da capital, disse que podia ouvir "o som do tiroteio e ver a nuvem de fumo que subia na zona do protesto".

Jornalistas estrangeiros em Cartum afirmaram que se mantiveram cativos num hotel por agentes de segurança não identificados.

A Associação de Profissionais do Sudão garantiu que o "massacre foi sangrento" e pediu que o povo sudanês participe da "desobediência civil total" para derrubar o conselho militar.

Os militares sudaneses derrubaram Bashir em abril, após meses de protestos contra os seus 30 anos no poder. Milhares de manifestantes acamparam do lado de fora do ministério e exigiram que os líderes militares expulsassem Bashir e depois entregassem o poder a civis.

Embora o consenso sobre as linhas gerais de um acordo para instalar um governo civil tenha sido alcançado, negociações prolongadas entre uma coligação de grupos pró-reforma e os militares estancaram na questão de quem dominaria o principal órgão de tomada de decisão durante um período interino.

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