Crise inventada? Número de migrantes a chegar à Europa baixou

A chegada de 1,8 milhões de migrantes e refugiados nos últimos quatro anos é um falso problema ou uma ameaça, consoante o lado da barricada

A questão migratória tomou de assalto a agenda dos países europeus, ao ponto de ser o tema dominante do Conselho Europeu de hoje e amanhã. Mas é de facto um problema que se mantém ou é um assunto trazido para a ordem do dia pelos movimentos nacionalistas e populistas?

Se considerarmos apenas os números, não há grandes dúvidas: em 2015, no auge da crise e da guerra na Síria, chegaram à Europa mais de um milhão de migrantes e refugiados. O número caiu para quase um terço no ano seguinte, pouco mais de 170 mil no ano passado e 43694 até 26 de junho.
"É o ano mais calmo desde 2011. O número de chegadas caiu de forma espetacular", disse ao New York Times o autarca de Lampedusa, na Sicília.

Para o especialista em migrações do Instituto Italiano de Estudos Políticos Internacionais, uma frase define o que se passa: "É uma crise inventada." Explica: "Os altos fluxos dos últimos anos reforçaram os partidos nacionalistas, que agora criam uma crise para marcar pontos políticos baratos."

Esta crítica encaixa no discurso do presidente da Liga e atual ministro do Interior italiano. Matteo Salvini fechou os portos italianos a navios de organizações não governamentais que transportem migrantes e quer levar a cabo a promessa eleitoral de deportar 500 mil migrantes sem documentos.

No entanto, não deixa de ser verdade que pelo menos 1,8 milhões de pessoas entraram na Europa pela via marítima desde 2014, o que criou uma série de desafios aos governos europeus. A integração e a segurança são as questões mais prementes.

Se parte dos líderes europeus, como Angela Merkel, não querem fechar a porta nem tornar as políticas mais restritivas, outros como Salvini, mas também o chanceler austríaco Sebastian Kurz, ou o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, aproveitam o sentimento da maioria da população, a acreditar nas sondagens em França, Itália ou Alemanha.

Ou, por exemplo, a fazer fé numa sondagem a nível europeu, levada a cabo pela Fundação Századvég (com ligações a Orbán), 48% dos europeus afirma que a chegada de imigrantes ilegais é um problema muito sério e 30% mais ou menos sério. Apenas 20% dos europeus não crêem que a questão seja um problema.

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