Covid-19. Na Europa, o centro da luta desvia-se dos hospitais para as ruas

O aumento dos casos de covid-19 em vários países europeus fez com que fossem impostas mais restrições, como o uso obrigatório de máscara. Mais do que a luta que se trava nos hospitais, este verão o mais importante é a vigilância dos comportamentos.

Espanha, França, Alemanha, Itália estão a ver o número de casos de infeção pelo novo coronavírus a multiplicar-se e já se fala na possibilidade de uma segunda onda pandémica que se antecipou ao inverno. Chegou ainda em agosto, com os turistas e as férias de verão, e alterou o campo de ação na luta contra o novo coronavírus. O trabalho das forças de segurança na rua tornou-se, no mínimo, tão fundamental como o dos profissionais de saúde, nos hospitais.

Se durante o período de confinamento, as indicações das autoridades de saúde foram mais fáceis de controlar com todos os cidadãos em casa e com a difusão de imagens de hospitais sobrelotados, agora, com as férias de verão, o regresso ao trabalho presencial e à escola, a principal preocupação passa a ser a gestão do risco nas atividade diárias e o ​​respeito pelas normas sanitárias.

Em Espanha e em algumas cidades francesas o crescimento das infeções diárias fez com que os governantes decretassem a obrigatoriedade do uso de máscara em todos os espaços públicos, mesmo ao ar livre. Em Itália e na Grécia os bares voltaram a ser encerrados.

A fiscalização desta medidas ficará a cargo das forças de segurança, que têm como missão fazer cumprir as restrições. E que poderão ter a tarefa complicada em alguns casos, como provaram este sábado, milhares de manifestantes nas ruas de Berlim, Londres e Paris criticando as medidas relacionadas com a covid-19. Os participantes nos protestos contra o uso de máscara, que já aconteceram também noutras cidades, como na capital espanhola, Madrid, acusam ainda as autoridades de saúde de falsearem a gravidade da situação, colocando em causa a liberdade dos cidadãos.

Este sábado, a polícia alemã teve mesmo de intervir numa manifestação com 20 mil pessoas por estas não estarem a respeitar o distanciamento social. Foram feitas duas detenções.

Apesar disto, há quem se mostre aliviado com a passagem de poder. Em declarações à cadeia televisiva norte-americana CNN, um motorista de autocarro francês diz que "infelizmente, as pessoas precisam de ter medo. Precisam de ser multadas para perceber que é obrigatório usar máscara. Ninguém ouve um motorista, mas vão ouvir a polícia".

Só em Marselha, uma das cidades francesas onde é obrigatório o uso de máscara na rua, um polícia disse, à CNN, que as autoridades estavam a passar cerca de 700 multas diárias por desrespeito desta norma. Na capital Belga, são passadas uma centena de multas diárias e em Itália 40, segundo dados citados pela televisão norte-americana.

Espanha (onde é obrigatório o uso de máscara na rua em todo o país e proibido fumar no espaço público) foi mais longe. Os militares, para além de ajudarem a fiscalizar estabelecimentos noturnos, estão também a auxiliar no rastreio de contactos das pessoas infetadas.

DGS estuda uso de máscara obrigatório em Portugal

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde está a estudar a possibilidade de uso obrigatório de máscaras para crianças a partir dos seis anos e para todas as pessoas em espaços públicos, confirmou, esta sexta-feira, em conferência de imprensa, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Esta revisão da norma será sempre proporcional ao risco das diferentes atividades, segundo Graça Freitas. "Ir a uma rua movimentada numa cidade é diferente de passear o cão às 22:00 numa zona não movimentada. Portanto, teremos de ter esse bom senso e sentido da proporcionalidade" na hora de rever as orientações sobre o uso de máscaras, continua a diretora-geral da Saúde.

Nos últimos quatro dias, o número de casos diários tem vindo a aumentar, tendo ficado sempre acima das 350 infeções. Nas últimas 24 horas foram registados mais 374 infeções e três vítimas mortais. Graça Freitas diz que "é precoce conseguir explicar [este aumento de casos], mas há um clima favorável a que isso possa acontecer", ou seja, a que as infeções diárias possam continuar a crescer.

"Há um aumento da atividade do vírus em toda da Europa e estamos a tentar um equilíbrio entre medidas de saúde pública e a retoma da vida normal, como o turismo. Com isso, há um maior contacto de pessoas e pode gerar um aumento do número de casos", disse Graça Freitas.

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