Cotoveladas, máscaras e um nariz. Líderes europeus voltam à mesa das negociações

Os chefes de Estado ou de governo da União Europeia iniciaram ontem uma maratona de negociações para tentar desbloquear um acordo sobre o quadro financeiro plurianual. Mas as discussões foram infrutíferas, e prosseguem este sábado.

Num encontro cheio de acontecimentos e histórias laterais, as tensas negociações quase parecem um pormenor, na primeira cimeira presencial da era Covid. Máscaras e muitas cotoveladas desajeitadas, substituíram os momentos efusivos, para quem ainda não se habituou a ver o aperto de mão como algo de outros tempos.

Alguns (poucos) líderes contornaram as medidas que pretendiam fazer desta cimeira um evento à prova de Covid, nomeadamente o uso de máscara, algo que o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban simplesmente rejeitou durante toda a cimeira. Mais tarde, antes de deixar o edifício, tentou novamente quebrar "a regra" de não haver cumprimentos de mão, ao aproximar-se do chefe do governo checo, Andrej Babiš, que não alinhou na transgressão.

Orban vai hoje ser uma das figuras centrais do segundo dia de cimeira, por ser um dos que está a bloquear o acordo, nomeadamente por um conjunto de referências que constam da proposta, que fazem depender a atribuição de verbas europeias ao cumprimento das regras do Estado de Direito. E, o primeiro-ministro húngaro e o polaco não estão de acordo.

Como se sabe, a Hungria e a Polónia são alvos de procedimentos por supostas violações ao Estado de Direito, a proposta que está em cima da mesa pode conduzir a uma perda significativa de verbas, se Bruxelas detectar incumprimento dos valores europeus.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte continua com o holofotes da Europa virados para ele, pelas suas posições polémicas, com o qual quase ninguém concorda dentro do Conselho. Ontem atrapalhou-se com a regra do uso de máscara à chegada, e quebrou a mais básica das regras, que permitiam a realização de uma cimeira presencial.

O holandês pretende que a decisão sobre os desembolsos das ajudas europeias aos Estados-membros, possa ser vetada, por qualquer governo que não concorde com o programa nacional em que o dinheiro vai ser aplicado.

A chanceler alemã, Angela Merkel definiu qual a posição que apoia, há exactamente dois meses, quando em conjunto com o presidente francês deram luz verde à emissão de dívida com garantias europeias. Ontem parecia focada no essencial em tempos de pandemia, apontando o dedo ao primeiro ministro Búlgaro, Boyko Borissov, pelo uso incorreto da máscara.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel procurou ultrapassar as divergências persistentes, com duas primeiras rondas de negociação, que se prolongaram ininterruptamente por quase oito horas. Já passava das 18h00, quando Michel interrompeu os trabalhos em formato de cimeira, para vários encontros bilaterais.

Esteve reunido com a chanceler alemã, Angela Merkel e com o presidente francês, Emmanuel Macron e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que apoia, um plano de recuperação assente maioritariamente em subvenções e uma parte em empréstimos.

A proposta da comissão prevê que sejam distribuídos 560 mil milhões em subsídios a fundo perdido e 250 mil milhões em empréstimos reembolsáveis, embora se pense que será possível conseguir taxas de juro baixíssimas. Charles Michel apresentou uma proposta para o Quadro Financeiro plurianual de 1074 mil milhões de euros, que representa um corte em relação à proposta anterior, na cimeira de Fevereiro.

Até ao início desta cimeira, estes montantes e as proporções entre subvenções e empréstimos pareciam ser consensuais, de acordo com o que o DN apurou, junto de várias fontes europeias, mas já esta madrugada, o chanceler austríaco fez uma publicação a opor-se à dimensão do montante do fundo de recuperação.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG