Corbyn perde 14 membros do governo-sombra

Moção de censura ao líder deverá ser discutida hoje. O clima entre os trabalhistas é de guerra civil

Um foi demitido e outros dez bateram com a porta. Até ao início da madrugada de hoje, Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, tinha perdido 14 membros do seu governo-sombra. O partido está a ruir.

Na sequência do brexit, o clima no Labour é de guerra civil. Por um lado, muitos membros do partido entendem que o líder não foi eficaz na campanha que fez em defesa do bremain e que é, por isso, um dos culpados pelo adeus do Reino Unido à União Europeia. Por outro, com a demissão de David Cameron, os trabalhistas acreditam que até ao final do ano haverá legislativas e perderam a fé na capacidade de Corbyn para conseguir uma vitória eleitoral.

O caos começou às 21.59 de sábado, quando o The Observer revelou que o ministro-sombra trabalhista dos Negócios Estrangeiros, Hilary Benn, estava a preparar um golpe de interno para desalojar Jeremy Corbyn da liderança do partido.

A notícia dizia que Benn iria sugerir a Corbyn que saísse pelo próprio pé e que, se não o fizesse, seria obrigado a lidar com uma onda de demissões entre os membros do seu governo-sombra.

Algumas horas depois, entre a madrugada e a manhã de domingo, Benn telefonou a Corbyn para dizer-lhe que já não tinha confiança na sua capacidade de liderança. O líder aproveitou o telefonema e despediu o ministro-sombra para os Negócios Estrangeiros.

Benn tinha as costas quentes e a certeza de que os seus colegas começariam a bater portas. E elas bateram com estrondo ao longo do dia. Não tardou muito tempo até que a ministra sombra da Saúde apresentasse a sua demissão numa carta aberta dirigida a Corbyn. "É com o coração pesado que lhe escrevo para comunicar-lhe que me demito do meu lugar no governo-sombra", escreveu Heidi Alexander.

A partir daí, entre ministros e secretários de Estado de um possível Executivo trabalhista, seguiram-se mais 13.

Para hoje de manhã está prevista uma reunião entre Jeremy Corbyn e Tom Watson, o líder adjunto dos trabalhistas, que se diz "muito desapontado" pela decisão de demitir Hilary Benn.

"Para mim é muito claro que estamos a caminho de eleições legislativas antecipadas e o partido tem de estar pronto para governar. Há muito trabalho a fazer e amanhã [hoje] de manhã vou encontrar-me com Jeremy Corbyn para discutir o caminho a seguir".

O líder trabalhista também enfrenta uma moção de censura à sua liderança apresentada por duas deputadas, que deverá ser hoje discutida entre o grupo parlamentar e votada ainda nesta semana.

"A menos que mudemos de líder, não seremos capazes de ganhar as próximas eleições. O resultado do referendo foi um desastre e a liderança tem de assumir as suas responsabilidades. Foi uma campanha sem brilho e sem convicção, sem uma mensagem forte. Quando o próprio líder se mostra ambíguo e dividido, não é surpreendente que os eleitores também fiquei indecisos", disse Ann Coffey, uma das duas deputadas que apresentaram a moção.

Benn - apesar de o próprio ter ontem dito que uma candidatura à liderança do Labour não faz parte dos seus planos - é um dos nomes falados para suceder a Corbyn caso este acabe por cair. Tom Watson também já foi ventilado como hipótese, tal como Chuka Umunna, candidato na última corrida à liderança que não chegou a ir a votos, e David Miliband, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e irmão do anterior líder Ed Miliband.

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