Corbyn pede união para um "socialismo do século XXI"

Líder trabalhista quer mais impostos sobre empresas e maior apoio à imigração. Convenção marcada por nova demissão

Jeremy Corbyn prometeu ontem, durante o seu discurso na convenção trabalhista, instaurar "o socialismo do século XXI", pedindo ao partido que "ponha fim à guerra de trincheiras" e se una para bater os conservadores nas urnas.

Reeleito no sábado líder dos trabalhistas com 61,8% dos votos, mais do que obteve em 2015, Corbyn tem tido, mesmo assim, grandes dificuldades em impor a sua posição, tendo perdido grande parte do seu governo-sombra depois do referendo sobre o brexit, em junho.

E a onda de demissões continua. Pouco antes da intervenção de Corbyn, o ministro-sombra do Interior, Andy Burnham, aproveitou o seu discurso para se demitir do cargo, em desacordo com as ideias de Corbyn sobre a imigração. O agora ex-ministro sombra criticou um "tique elitista" por não dar ouvidos à preocupação dos eleitores sobre a "migração ilimitada, sem meios e não qualificada".

Atitude que parece não ter afetado a linha do discurso que o líder trabalhista tinha preparado. Recebido de forma calorosa pelos militantes presentes na convenção, Corbyn garantiu que os trabalhistas não irão "semear divisões" com "falsas promessas" em relação ao brexit, mas "em vez disso abordar as verdadeiras questões da imigração e fazer mudanças reais que são necessárias".

Em 2010, o governo de David Cameron aboliu o Fundo para o Impacto da Migração, criado dois anos antes pelo executivo liderado por Gordon Brown. Segundo o líder trabalhista, este fundo seria financiado, em parte, pelos pedidos de visto para entrar no Reino Unido e pela criação de um imposto sobre as taxas de pedido de nacionalidade.

"Vamos atuar para acabar com a exploração do trabalho migrante", garantiu o líder trabalhista. "E vamos aliviar a pressão dos serviços públicos mais visados, serviços que estão a lutar para absorver os cortes da austeridade conservadora. em comunidades que estão a receber mais população".

Montanha eleitoral

Corbyn garantiu ainda que o partido tem a responsabilidade de agir como um governo à espera da sua vez, especialmente porque existe um ambiente crescente de que a primeira-ministra, Theresa May, poderá convocar eleições antecipadas no próximo ano. "É verdade que existe uma montanha eleitoral para escalar", disse. "Mas se nos focarmos nas necessidades e aspirações dos eleitores das classes média e baixa, das famílias normais, se demonstrarmos que somos uma alternativa viável às falhadas políticas económicas do governo, estou convencido de que poderemos construir um apoio eleitoral que baterá os conservadores".

Entre as promessas feitas pelo líder trabalhista está o aumento dos impostos sobre as empresas para financiar uma reforma do sistema educativo do país. Um investimento que, diz, será devolvido no futuro às empresas através de mão de obra mais qualificada.

Mas também a instauração de um amplo programa de investimento público e o restabelecimento de alguns direitos sindicais. Medidas que, para Corbyn, oferecem "um novo contrato para recuperar o Reino Unido".

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