Corbyn falha primeiro teste contra frágil maioria de Theresa May

Líder trabalhista já é mais popular do que a primeira-ministra. Esta promete "ouvir melhor" inquietações dos britânicos.

A tentativa dos trabalhistas e do seu líder, Jeremy Corbyn, de forçar o governo conservador de Theresa May a alterar a política de cortes para o setor público falhou ontem com a votação na Câmara dos Comuns a produzir um resultado de 323 votos contra e 309 a favor.

Os trabalhistas tinham apresentado uma proposta de emenda ao discurso da Rainha, em que se define a política do governo para o corrente ano (mas cuja autoria é da responsabilidade da primeira-ministra), propondo "o fim de cortes para os serviços de bombeiros e da polícia (...) e se pede ao governo que ponha fim aos limites de remuneração no setor público e suba os vencimentos". Está em vigor desde 2010 um limite de 1% nos aumentos neste setor e, antes da votação, surgiram notícias de que este poderia ser revisto ou abolido totalmente quando for apresentado o próximo orçamento de Estado, o que sucederá já no outono.

Um porta-voz da primeira-ministra, afirmou ontem que May está atenta ao desagrado popular com as medidas de austeridade e garantiu que a dirigente conservadora irá "ouvir melhor" e responder às inquietações manifestadas pelos britânicos.

A derrota da proposta trabalhista resultou da convergência de votos dos conservadores com os aliados unionistas irlandeses, com os dez eleitos deste partido a pronunciarem-se contra a alteração. Ou seja, uma maioria de 14 que o deputado conservador John Penrose considerou "operacional, ainda que não folgada" para o governo, falando à BBC. Dos 317 conservadores, estiveram presentes 313. Hoje irão decorrer três novas votações a emendas ao discurso da Rainha, uma segunda dos trabalhistas e duas outras sujeitas à discricionariedade do presidente da Câmara dos Comuns.

Apesar do previsível revés em Westminster, Corbyn continua a somar pontos face à primeira-ministra conservadora. Pela primeira vez, uma sondagem dá-o como o preferido dos britânicos para o cargo de chefe do Governo. Divulgado ontem pelo The Independent, um estudo de opinião do YouGov indica que 35% dos inquiridos consideram que o líder trabalhista seria um melhor primeiro-ministro do que May. Por sua vez, esta continua a ser a melhor escolha para 34% dos inquiridos, com 30% a declararem-se indecisos sobre a melhor opção. O mesmo texto recorda que, na véspera da eleição antecipada de 8 de junho, 43% dos inquiridos considerava a dirigente conservadora como a melhor escolha e 32% optava por Corbyn. Então, a taxa de indecisos era de 26%. Mas, se se recordar a diferença entre conservadores e trabalhistas quando, em abril, foi marcada a eleição, torna-se claro o nível de erosão política sofrida pela primeira-ministra no espaço de dois meses.

Uma outra sondagem, divulgada no domingo no Mail on Sunday e procurando determinar a tendência de voto, trouxe más notícias para os conservadores: estes recolhiam 39% das intenções de votos - os trabalhistas registavam 45%.

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