"Contei ao presidente Obama algumas coisas que recordo dos Açores"

Foi o próprio fotógrafo oficial da Casa Branca quem respondeu ao e-mail do DN a pedir a entrevista. E explicou que a publicação de um livro com fotos dos últimos oito anos é a sua prioridade. O neto de açorianos promete continuar a colaborar com Obama. Com Trump é que ele nunca trabalharia.

No próximo dia 20 de janeiro, o presidente Barack Obama vai deixar a Casa Branca e o Pete Souza vai sair com ele. Já sabe o que vai fazer a seguir?

Provavelmente vou dedicar-me a uma combinação entre fotografar alguns projetos especiais, falar sobre as minhas experiências e dar alguns workshops. Espero também vir a editar um livro com fotografias dos últimos oito anos.

Desde 2005 que mantém uma parceria bem-sucedida com Barack Obama, primeiro como senador do Illinois, depois como candidato e finalmente como presidente. Ele já esclareceu que vai ficar por Washington, pelo menos para já. Vão continuar a trabalhar juntos de alguma forma?

Provavelmente continuaremos a trabalhar juntos. De forma ocasional, mas não numa base regular.

Tira milhares de fotografias do presidente todas as semanas. Consegue escolher uma - a sua favorita - dos últimos oito anos?

Não consigo mesmo escolher a minha favorita. Tentei criar o melhor corpo de trabalhos possível. Espero que haja um momento - talvez a tempo do meu livro - em que consiga compilar cem ou 200 fotografias que retratem este presidente e a sua presidência.

Obama deixa a Casa Branca com a popularidade em alta. A imagem que as suas fotografias passam dele aos americanos e também ao resto do mundo ajudaram a torná-lo tão popular?

Vou deixar que sejam os outros a decidir se é assim ou não.

Qual foi até agora a coisa mais difícil que já teve de fazer na sua função de fotógrafo principal da Casa Branca?

É um grande privilégio poder fazer este trabalho. Mas é também um trabalho a tempo inteiro. Já perdi muito tempo com a minha família e os meus amigos.

Nos anos 1980, trabalhou com o presidente Ronald Reagan. Quais as melhores memórias que guarda desses primeiros tempos na Casa Branca?

Foi o meu primeiro contacto com a política a nível nacional e com a Casa Branca. Tudo era novo para mim naquela altura. Aquela experiência ajudou a preparar-me para a minha segunda experiência com um presidente.

Ronald Reagan era muito diferente de Barack Obama? Em que aspetos?

Isso dava para escrever um livro só por si. Mas, sobretudo, o presidente Reagan era muito mais velho do que o presidente Obama. A agenda de Reagan não era tão intensa em termos de tempo nem tão cheia de acontecimentos.

Quando esteve em Portugal, em 2010, disse ao Diário de Notícias que gostaria de poder regressar, mas desta vez sem o presidente de forma a poder verdadeiramente visitar o país. Já pôs essa visita na sua agenda?

Vou definitivamente voltar a Portugal com a minha mulher a determinada altura. Provavelmente será já no próximo ano.

E aos Açores, de onde os seus avós partiram para os Estados Unidos no início do século XX, gostaria de regressar?

Também vou, sem qualquer dúvida, voltar aos Açores. Gostaria de explorar algumas das outras ilhas além daquela onde os meus avós nasceram. Existe um projeto fotográfico que comecei agora a investigar e que pode vir a levar-me à maior parte das outras ilhas do arquipélago. Quando [em meados do mês de novembro] parámos para reabastecer nos Açores [na base das Lajes], contei ao presidente Obama algumas coisas que recordo da minha visita às ilhas em 1988.

A vitória de Donald Trump nas presidenciais de 8 de novembro foi uma surpresa para toda a gente. Estava com o presidente Obama quando os resultados foram conhecidos e se percebeu que Hillary Clinton perdera?

Estava em casa e estava a dormir. Mas estava com o presidente quando ele chegou ao seu gabinete na manhã seguinte.

Se o novo presidente dos Estados Unidos lhe pedisse para continuar a trabalhar como fotógrafo da Casa Branca era capaz de aceitar?

Não.

Donald Trump e Barack Obama não podiam ser duas pessoas mais diferentes. Qual seria o maior desafio se tivesse de fotografar Donald Trump?

A principal questão que se põe é se ele permitiria o mesmo tipo de acesso que o presidente Obama sempre me deu. Essa é a grande dúvida e o maior desafio, sobretudo se a resposta for não.

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