Condenados quatro traficantes que vendiam mulheres por 10 mil libras em Glasgow

Recrutavam as vítimas na Eslováquia e vendiam-nas como mercadoria. Uma das mulheres foi vendida no exterior de uma loja. Muitas eram obrigadas a casar com paquistaneses que queriam ter cidadania europeia.

Três homens e uma mulher foram esta sexta-feira considerados culpados de tráfico de mulheres. O grupo trazia jovens da Eslováquia para a Escócia com a promessa de um emprego, mas na verdade vendia-as para casamentos falsos e prostituição. Vojtech Gombar, 61, Anil Wagle, 37, Jana Sandorova, 28 e Ratislav Adam, 31, negaram as acusações, mas foram considerados culpados pelo Tribunal Superior de Glasgow.

As mulheres foram recrutadas entre 2011 e 2017. Uma das vítimas foi vendida por dez mil libras no exterior de uma loja, conta a BBC. Os quatro membros do gangue vão conhecer a sentença no próximo mês.

A polícia escocesa explicou, através de um comunicado no site oficial e nas redes sociais, que a prisão dos traficantes foi o culminar de uma investigação de cinco anos e que envolveu a polícia do Reino Unido e agências europeias como Europol e a Eurojust.

"É um crime hediondo", disse Steven McMillan, responsável pela investigação, acrescentando que todas as mulheres envolvidas ficaram gravemente traumatizadas com o que passaram. A maioria regressou entretanto à Eslováquia o que também complicou o trabalho da polícia.

"É inacreditável, mas, sim, estas mulheres eram vendidas como mercadoria em Glasgow", disse McMillan.

As primeiras pistas acerca da rede de traficantes surgiram em 2014 mas foram necessários três anos até que 70 agentes entrassem em quatro apartamentos na zona de Govanhill, em Glasgow, para prender Gombar, Wagle, Sandorova e Adam.

Gombar, que foi descrito como o líder do grupo, tinha laços familiares com os eslovacos Adam e Sandorova. Três dos traficantes são de etnia romani e vieram da cidade de Trebisov, no leste da Eslováquia, perto da fronteira com a Ucrânia, de onde a maioria das mulheres foi recrutada.

Wagle, natural do Nepal, envolveu-se com o grupo depois de contactar os traficantes porque queria comprar uma noiva.

As vítimas tinham idades entre os 18 e os 25 anos e eram traficadas primeiro para o Reino Unido, para onde partiam com a promessa de um emprego. Assim que chegavam eram vendidas por valores que variavam entre as três e as dez mil libras.

Os compradores eram principalmente homens do Paquistão que queriam a cidadania da UE para que pudessem viver e trabalhar na Europa, e queriam casar com as mulheres. Muitas das vítimas foram obrigadas a prostituir-se ou foram abusadas sexualmente pelos homens que as compraram.

Eram presas em "esconderijos" em zonas como Manchester e Yorkshire antes de serem levadas para Govanhill. O gangue retinha os documentos das vítimas e controlava todos os seus movimentos.

Adriana Adiova, agora com 28 anos, deu o seu testemunho e contou como ela e a irmã pensavam que iriam trabalhar em Londres e como acabaram presas num apartamento em Govanhill sem trabalho e sem dinheiro. Adiova foi forçada a casar com o filho de um paquistanês que a tinha escolhido entre várias outras vítimas.

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