Como foi a morte de Pablo Escobar, segundo os agentes que o apanharam

No livro "Caça ao homem: como apanhámos Pablo Escobar", os agentes que estiveram envolvidos na operação desmontam a ideia de que o rei da droga colombiano se suicidou quando foi apanhado.

Pablo Emilio Escobar Gaviria, o rei da cocaína e de Medellín. O narcotraficante mais procurado dos anos 90. Mas, acima de tudo, o ícone da Colômbia mais sombria, transformou-se a 2 de dezembro de 1993 num fugitivo assustado e acabou como cadáver na cidade onde dominava. Correram teorias de que se teria suicidado quando foi cercado pelas forças especiais que o encurralaram. Mas os agentes que estiveram envolvidos na operação relatamagora, no novo livro "Caça ao homem: como apanhámos Pablo Escobar", que o famoso traficante foi mesmo morto pela polícia.

Foi com o boom da cocaína nos anos 1980 que a Colômbia rapidamente se tornou a capital desta droga e que Pablo Escobar passou a ser o maior traficante, acumulando a maior fortuna do país e uma das maiores do mundo.

O seu império era tão grande que foi criada uma unidade especial, o Bloco de Procura, composta por policias, militares e agentes da DEA (US Drug Enforcement Administration), para o rastrear. O governo colombiano ofereceu uma recompensa de cinco milhões de dólares a quem o conseguisse capturar . A surpresa foi que a cidade de Medellín, onde era muito popular, não parecia interessada em ajudar as autoridades.

Mas a 2 de dezembro de 1993, um dia após seu 44º aniversário, Escobar foi encurralado pelas Forças Armadas, numa residência próxima do estádio Atanasio Girardot, na zona oeste da cidade. O correspondente do jornal ABC, Sebastián de Aristizábal, relata que 500 soldados e polícias cercaram a casa e "os soldados começaram a invadir o local onde estavam Escobar e um guarda-costas".

Segundo o relato dos policias, o primeiro dos três tiros que atingiu o traficante veio da arma do agente que cobria a porta de trás da casa, quando Escobar tentava fugir pelo telhado. A bala atingiu-o na nuca e alojou-se entre os dentes, segundo uma perícia., e fê-lo cair Um segundo tiro, localizado na coxa esquerda, impediu-o de se levantar. Por fim, o terceiro, atingiu-o na cabeça a uma curta distância (facto mais tarde negado pelo Bloco de Procura) e entrou pelo lado direito da cara, próximo à orelha. A bala matou-o instantaneamente.

Quem puxou o gatilho? As teorias são variadas e contraditórias. A família de Escobar continua defender que, após receber a primeira bala, o narcotraficante suicidou-se, como sempre prometera antes de se deixar apanhar: "Nunca na porra da vida eles vão apanhar-me vivo", ouve-se numa das gravações feitas pelo Bloco de Procura.

Em entrevistas subsequentes, em 1993, o coronel da polícia Hugo Martínez Poveda, chefe do Bloco de Procura, negou que quaisquer tiros à queima-roupa tenham sido disparados quando Escobar já estava no solo e apoiou a versão oficial de que foram disparados por um dos seus homens, o sargento Hugo Aguilar. Da mesma forma, Martínez descartou a participação de homens da DEA ou de outras agências de segurança dos Estados Unidos na operação porque "eles tinham ordem de não intervir".

A famosa fotografia do agente Steve Murphy ao lado do corpo ocorreu 15 minutos após a morte de Pablo Escobar, segundo o depoimento do militar. Nesse sentido, especulou-se que os tiros foram disparados por um experiente atirador da Força Delta. "Enquanto olhava a área ao redor do orifício de entrada da orelha de Escobar, não vi nenhum sinal de queimadura de pólvora, indicando suicídio por arma de fogo ou tiro disparado à queima-roupa. Claramente, não foi suicídio. Determinar a causa da morte foi importante porque, anos depois, o seu filho, Juan Pablo, tentaria manipular a verdade e alegar que o seu pai se suicidou no telhado. De certa forma, isso deveria fazê-lo parecer corajoso ", garante Murphy no livro.

Segundo este agente americano, o suicídio foi descartado pelas evidências. O prédio tinha sinais de tiroteio. O coldre duplo de Escobar estava ao lado do corpo junto com duas pistolas 9 mm. Mas já estaria sem balas quando chegou ao telhado. "Depois de examinar a cena e as provas, não tive motivos para não acreditar na polícia colombiana e na sua versão do que aconteceu", conclui Murphy no livro.

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