Ursula von der Leyen com equipa paritária em Bruxelas

Todos os Estados membros da UE - excluindo o Reino Unido - apresentaram já os seus candidatos a comissários europeus. O governo português de António Costa decidiu-se por Elisa Ferreira, vice-governadora do Banco de Portugal

Ursula von der Leyen disse que iria exigir aos Estados membros uma Comissão Europeia paritária, que tivesse tantos comissárias mulheres como comissários homens. A presidência finlandesa da UE tinha dado uma dada informal como prazo limite, esta segunda-feira dia 26, para que os países apresentassem os nomes dos seus candidatos a comissários. Porém, alguns apresentaram as suas propostas muito depois disso. Foi o caso de Itália e França, por exemplo

Até agora, 14 países deram nomes só de homens, 12 nomes só de mulheres. A Roménia, como tinha feito inicialmente Portugal, sugeriu uma candidatura com um homem e uma mulher, para que a presidente da Comissão pudesse escolher melhor. Um país, o Reino Unido, não apresentará comissário, por razões óbvias, o Brexit.

A seguir às propostas dos países, a alemã vai distribuir as pastas, mais ainda poderá haver alterações e redistribuições até às audiências dos candidatos a comissários no Parlamento Europeu, em meados de setembro. O voto final deverá ocorrer no final de outubro e a nova Comissão Europeia deverá tomar posse a 1 de novembro.

Pelo meio, houve pelo menos uma desistência e uma substituição, na Polónia, confirmada pelo próprio desistente, mais rumores de duas rejeições, na Roménia. Os dois nomes dados pelo governo, não passarão, em princípio, no Parlamento Europeu. Para o seu lugar, está a ser sugerida uma mulher. Se assim for, no final de contas, a nova Comissão de Ursula von der Leyen, terá 14 homens e 13 mulheres (uma vez que o Reino Unido já não conta). Este é o ponto da situação.


Áustria
Johannes Hahn
(Partido Popular Europeu)
Atual comissário do Alargamento e da Política Europeia de Vizinhança, Johannes Hahn, de 61 anos, é a escolha do governo austríaco para continuar como comissário no Berlaymont. Hahn é membro do Partido Popular Austríaco, do chanceler austríaco Sebastian Kurz e do Partido Popular Europeu

Bélgica
Didier Reynders
(Renovar a Europa)
Atual ministro dos Negócios Estrangeiros belga é a escolha do país para a Comissão Europeia. Didier Reynders, de 61 anos, é membro do Movimento Reformador e do grupo político europeu de liberais e progressistas Renovar a Europa. Reynders já esteve na calha para ser comissário nesta comissão de Jean-Claude Juncker, mas não foi bem-sucedido, porque o luxemburguês queria mais mulheres. No final foi nomeada a flamenga Marianne Thyssen. Desta vez, de acordo com um acordo não escrito cabe a um francófono a nomeação para a Comissão pelo lado da Bélgica. Reynders viu o seu nome confirmado pelo primeiro-ministro belga, Charles Michel, no dia 24, apesar de o governo estar em funções e de, desde as eleições de maio, ainda não ter sido formado um novo Executivo no país que abriga as mais importantes instituições da UE. Michel vai ele próprio deixar o governo para, a partir de dezembro, assumir o cargo de presidente do Conselho Europeu.

Bulgária
Mariya Gabriel
(PPE)
Atual comissária para a a Sociedade e a Economia Digital, Mariya Gabriel, de 40 anos, é a escolha do controverso primeiro-ministro búlgaro, Boiko Borisov, para a Comissão de Ursula von der Leyen. É membro do partido búlgaro Cidadãos pelo Desenvolvimento Europeu da Bulgária e do Partido Popular Europeu. Algumas notícias publicadas pelos media europeus deram conta do interesse búlgaro na pasta da Agricultura mas Borisov desmentiu. "Porque é que haveríamos de querer a Agricultura quando o dinheiro aí está bem distribuído entre os países? Alguém fabricou este disparate para mais tarde poder dizer que não conseguimos. Estou farto de fake news", disse no dia 23 o chefe do governo, citado pela agência FOCUS News.

Croácia
Dubravka Šuica
(PPE)
A cumprir o segundo mandato como deputada no Parlamento Europeu, Dubravka Šuica, de 62 anos, foi presidente da Câmara Municipal de Dubrovnik e a escolha do governo croata para a Comissão. É membro da União Democrática Croata e do PPE.

Chipre
Stella Kyriakides
(PPE)
Deputada cipriota, psicóloga de formação, Stella Kyriakides, de 63 anos, é a escolha de Chipre para o colégio de comissários. A ex-presidente da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa é membro da Aliança Democrática e do PPE.

República Checa
Věra Jourová
(Renovar a Europa)
Atual comissária para a Justiça, Direitos do Consumidor e Igualdade de Género, Věra Jourová, de 55 anos, é a escolha dos checos e, segundo o Euractiv.com, quererá mudar para a pasta do comércio ou do mercado interno na próxima Comissão.

Dinamarca
Margrethe Vestager
(Renovar a Europa)
A atual comissária da Concorrência foi dos nomes que mais se destacaram nesta Comissão Juncker. A dinamarquesa ficou conhecida por ter multado a gigante tecnológica Google, por posições antimonopólio, bem como por ter exigido o pagamento de impostos à Starbucks e por ter na mira a gigante do e-commerce Amazon. Ex-ministra na Dinamarca, de 51 anos, Vestager chegou a ser a candidata dos liberais europeus à presidente da Comissão Europeia. Ficou para trás, mas tem desde logo garantida uma importante vice-presidência da Comissão de Ursula von der Leyen. Vestager é membro do Partido Social Liberal dinamarquês e do grupo político europeu Renovar a Europa. No debate dos Spitzenkadidaten (candidatos à Comissão), quando lhe perguntaram o que é, para ela, um paraíso fiscal, respondeu, sorridente, que é um sítio onde todos pagam impostos.

Estónia
Kadri Simson
(Renovar a Europa)
Atual comissária do Mercado Único Digital, depois de Andrus Ansip ter decidido ocupar o seu lugar de eurodeputado, Kadri Simson, de 42 anos, é membro do Partido do Centro e do Renovar a Europa.

Finlândia
Jutta Urpilainen
(Socialistas e Democratas)
Ex-vice primeira-ministra e ex-ministra das Finanças da Finlândia, Jutta Urpilainen, de 44 anos, pertence ao Partido Social Democrata - do qual foi líder até 2014 - bem como ao grupo europeu dos Socialistas e Democratas.

França
Sylvie Goulard
(Renovar a Europa)
O país presidido por Emmanuel Macron confirmou esta quarta-feira o nome de Sylvie Goulard para comissária europeia. Vice-governadora do Banco de França, de 54 anos, é membro do partido La République en Marche, que no Parlamento Europeu integra o novo grupo político Renovar a Europa. Ex-eurodeputada, Goulard foi conselheira de Romano Prodi, quando este foi presidente da Comissão Europeia.

Alemanha
Ursula von der Leyen
(PPE)
Ex-ministra da Defesa da Alemanha, Ursula von der Leyen, de 60 anos, é a primeira mulher presidente da Comissão Europeia. Aprovada pelo Parlamento Europeu, com uma magra maioria, a ex-ministra de Angela Merkel viu o seu nome para o Berlaymont surgir à margem do chamado processo do Spitzenkandidaten. Mãe de sete filhos, membro da CDU, von der Leyen foi escolhida à última hora depois de os chamados países do Grupo de Visegrado terem bloqueado o nome do holandês Frans Timmermans para suceder a Jean-Claude Juncker em Bruxelas. Cabe-lhe agora a ela escolher os seus comissários, sendo que avisou, desde muito cedo, que exigiria paridade entre homens e mulheres aos Estados membros.

"Irei garantir uma total paridade de género no meu colégio de comissários. Se os Estados membros não propuserem nomes de mulheres em número suficiente eu não hesitarei em pedir que indiquem outros nomes. Desde 1958 houve 183 comissários. Apenas 35 eram mulheres. Isso é menos do que 20%. Nós representamos metade da nossa população. Queremos a nossa parte justa", disse Ursula von der Leyen, durante o discurso que fez a 16 de julho, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. Depois de a alemã escolher os comissários, bem como as pastas que serão atribuídas a cada um deles, os eurodeputados terão igualmente de confirmar toda a equipa de comissários.

Grécia
Margaritis Schinas
(PPE)
Atual porta-voz da Comissão Europeia, ex-eurodeputado, Margaritis Schinas, de 57 anos, tem uma vasta experiência em Assuntos Europeus. É membro da Nova Democracia, partido recém-regressado ao poder na Grécia, liderado pelo novo primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis. E também pertence ao PPE.

Hungria
László Trócsányi
(PPE - suspenso)
Eleito eurodeputado nas últimas eleições europeias, László Trócsányi, ex-ministro da Justiça húngaro, de 63 anos, é um dos candidatos a comissário que mais probabilidades tem de suscitar a oposição no Parlamento Europeu. Isto dado o historial de violações dos valores europeus e do Estado de Direito na Hungria por parte do governo do primeiro-ministro Viktor Orbán. Trócsányi é membro do Fidesz - partido suspenso do PPE - ainda antes das europeias de maio.

Irlanda
Phil Hogan
(PPE)
Atual comissário da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Phil Hogan, de 59 anos, renova em Bruxelas. Membro do Fine Gael, partido do primeiro-ministro Leo Varadkar, bem como do PPE.

Itália
Paolo Gentiloni
(S&D)
Após o acordo entre o Movimento 5 Estrelas e o Partido Democrático para formar um novo governo em Itália, os italianos nomearam o ex-primeiro-ministro Paolo Gentiloni para ser o seu comissário em Bruxelas. Fundador do Partido Democrático, que a nível europeu integra o grupo dos Socialistas e Democratas, Gentiloni, de 64 anos, foi também ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália. O seu papel para que o país tenha um novo governo, liderado por Giuseppe Conte, é considerado bastante relevante.

Letónia
Valdis Dombrovskis
(PPE)
Atual comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, Valdis Dombrovskis, de 48 anos, foi escolhido para continuar na Comissão Europeia pelo lado da Letónia. Membro do partido Unidade e do PPE.

Lituânia
Virginijus Sinkevičius
(Verdes-Aliança Livre Europeia)
Atual ministro da Economia lituano, Virginijus Sinkevičius, de 28 anos, pode ser um dos comissários mais novos de sempre caso seja confirmado pelo Parlamento Europeu. Membro da União dos Camponeses e Verdes Lituanos, Sinkevičius poderá integrar a Comissão ou como membro dos Verdes ou como independente. Segundo o Euractiv.com, o ministro é conhecido por ter em cima da sua secretária um boné de baseball com a frase "Make America Gret Again" - o slogan de campanha do presidente norte-americano Donald Trump.

Luxemburgo
Nicolas Schmidt
(S&D))
Eurodeputado, Nicolas Schmidt, de 65 anos, é membro do Partido Socialista dos Trabalhadores do Luxemburgo e do S&D.

Malta
Helena Dalli
(S&D)
Ex-secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Helena Dalli, de 56 anos, é do Partido Trabalhista maltês e do S&D.

Holanda
Frans Timmermans
(S&D)
Atual primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, comissário responsável pela Melhoria da Legislação, pelas Relações Institucionais, pelo Estado de Direito e pela Carta dos Direitos Fundamentais, Frans Timmermans, de 58 anos, foi nomeado pelo governo da Holanda para continuar a representar o país em Bruxelas. Ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e do Interior holandês, Timmermans chegou a ser escolhido, numa solução de compromisso franco-alemã, para o cargo de presidente da Comissão Europeia no âmbito do chamado processo dos Spitzenkandidaten. Porém, à última hora, a compromisso ruiu e perante a oposição de países como a Hungria e Itália foi preciso arranjar a solução Ursula von der Leyen. Timmermans é conhecido por ferver em pouca água e na imprensa costuma sempre ter os melhores soundbytes: "O Reino Unido parece a Guerra dos Tronos sob o efeito de esteroides", disse, sobre o Brexit, no debate dos Spitzenkandidaten.

Polónia
Janusz Wojciechowski
(Europeus, Conservadores e Reformistas)
Candidato nomeado pelo governo Krzysztof Szczerski retirou a sua candidatura esta segunda-feira à tarde, por considerar que não tem competências para ocupar a pasta da Agricultura, a qual, segundo ele, Von der Leyen quer dar à Polónia. "Penso que esta pasta é tão importante para a Polónia que deve ir para alguém que sempre tenha lidado com agricultura", declarou á rádio polaca RMF FM e sugeriu o nome de Janusz Wojciechowski. Este é advogado e auditor no Tribunal Europeu de Auditores. Antes de ir para o tribunal era eurodeputado eleito pelo partido Lei e Justiça, no poder na Polónia, que no Parlamento Europeu integra o grupo político dos Europeus, Conservadores e Reformistas. Wojciechowski, de 64 anos, é ex-vice-presidente da Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Parlamento Europeu.

Portugal
Elisa Ferreira
(S&D)
Depois de muito se falar em dois candidatos, Pedro Marques, eurodeputado e ex-ministro, e Elisa Ferreira, vice-governadora do Banco de Portugal, para o lugar de comissário de Portugal, fonte do gabinete do primeiro-ministro António Costa avançou esta terça-feira, à agência Lusa, que a decisão final do governo português recaiu sobre Elisa Ferreira.

Vice-governadora do Banco de Portugal, de 63 anos, Elisa Ferreira foi eurodeputada pelos socialistas e ministra do Ambiente e do Planeamento. No Parlamento Europeu, liderou a equipa de negociação sobre o mecanismo único de resolução dos bancos e as novas regras foram um passo para a União bancária. Para ela, dada a sua experiência e currículo, faria sentido a pasta de comissária dos Assuntos Financeiros. Porém, Portugal já tem a presidência do Eurogrupo, ocupada por Mário Centeno.

Em julho, em entrevista ao Observador, o primeiro-ministro António Costa admitiu: "Se Mário Centeno continuar como ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo, essa é uma área fundamental para o país onde já estamos fortemente presentes, por isso faria pouco sentido duplicar a mesma área na Comissão, e nesse caso seria vantajoso estarmos numa área distinta daquela que estamos no Eurogrupo".

Roménia
Dan Nica e Rovana Plumb
(S&D)
A Roménia, como fez inicialmente Portugal, deu a escolher a Ursula von der Leyen entre dois candidatos: um homem e uma mulher. Tanto Dan Nica como Rovana Plumb têm 59 anos, são eurodeputados e membros do PSD romeno. Este integra os Socialistas e Democratas. Segundo o site Euractiv.ro e outros media romenos, os dois nomes indicados pelo governo romeno não são aceitáveis para o Parlamento Europeu. E citam fontes como o líder do grupo Renovar a Europa, Dacian Ciolos, ex-primeiro-ministro da Roménia.

No lugar daqueles dois candidatos, a atual ministra dos Negócios Estrangeiros da Roménia, Ramona Manescu, de 46 anos, seria uma possível alternativa, avançam os mesmos media. Entretanto, no meio da confusão, um dos partidos da coligação retirou-se do governo romeno. Os liberais do Alde retiraram-se da aliança de governo em rota de colisão com a primeira-ministra Victoria Dancila por causa do candidato à presidência da Roménia. Dancila encontra-se, neste momento, à procura de um parceiro de coligação alternativo.

Eslováquia
Maroš Šefčovič
(S&D)
Atual comissário para a União Energética, Maroš Šefčovič, de 53 anos, foi novamente indicado para comissário pela Eslováquia. Membro do partido Direção - Social Democracia, Šefčovič é membro dos Socialistas e Democratas.

Eslovénia
Janez Lenarčič
Independente
Ex-embaixador da ex-Jugoslávia na UE, Janez Lenarčič, de 51 anos, é um diplomata de carreira. Este independente foi a escolha do governo esloveno para a Comissão Europeia

Espanha
Josep Borrell
(S&D)
Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo espanhol em funções, Josep Borrell foi indicado por Pedro Sánchez. No âmbito das negociações para os altos cargos da UE, Borrell, ex-presidente do Parlamento Europeu, com 72 anos, será o Alto Representante da UE para a Política Externa, cargo atualmente ocupado pela italiana Federica Mogherini. Natural da Catalunha, Borrell é membro do PSOE (partido que integra o grupo dos Socialistas e Democratas).

Suécia
Ylva Johansson
(S&D)
Atual ministra do Trabalho sueca,Ylva Johansson, de 55 anos, é a escolha de Estocolmo para a Comissão.

Reino Unido
Não vai nomear comissário por causa do Brexit
Decisão foi confirmada pelo novo primeiro-ministro britânico Boris Johnson. O último comissário do Reino Unido é Julian King. Este tem a pasta da Segurança e esteve na semana em Portugal, em Monsaraz, para o Summer Cemp da Comissão Europeia.

(Artigo atualizado às 15.30 de quarta-feira dia 4 de setembro)

Mais Notícias

Outras Notícias GMG