Bruxelas concorda com Merkel: Europa deve assumir rédeas do seu destino

A chanceler alemã sugeriu que Europa já não pode confiar inteiramente nos Estados Unidos.

A Comissão Europeia vai continuar a trabalhar para assegurar boas relações transatlânticas mas concorda que a Europa, permanecendo "aberta ao mundo", deve "ter em mãos o seu próprio destino", afirmou hoje o porta-voz do executivo comunitário.

Na conferência de imprensa diária da Comissão, Margaritis Schinas, questionado sobre as declarações feitas na véspera pela chanceler alemã Angela Merkel, a instar os países da UE a manterem-se unidos e a tomarem as rédeas do seu destino - atendendo ao crescente distanciamento de Reino Unidos e Estados Unidos -, afirmou que o presidente Jean-Claude Juncker é a favor da "construção de pontes" e que Bruxelas trabalha "para a unidade dos 27".

Apontando que a Europa permanece "aberta ao mundo e está sempre pronta a compromissos", o porta-voz admitiu contudo que é necessário "assegurar que a Europa tem em mãos o seu próprio destino".

Relativamente à reunião da passada quinta-feira entre Juncker e o presidente norte-americano, Donald Trump, o porta-voz da Comissão garantiu ter-se tratado de "um encontro amigável e construtivo".

"Queremos reiterar que boas relações transatlânticas continuam a ser cruciais para assegurar a segurança e prosperidade globais, e, no que nos diz respeito, vamos continuar a trabalhar nesse sentido", afirmou.

No domingo, Merkel, que falava num comício em Munique após ter participado nas reuniões da NATO, em Bruxelas, e do G7, em Taormina, defendeu que a UE a 27 deve ser mais unida do que nunca pois já lá vai o tempo em que se podia confiar totalmente nos aliados.

"O tempo em que podíamos contar totalmente uns com os outros acabaram em certa medida. Verifiquei isso nos últimos dias. É por isso a única coisa que posso dizer é que nós, os europeus, temos de tomar as rédeas do nosso destino", afirmou.

Merkel enfatizou, por outro lado, a necessidade de se continuar a manter relações de amizade com os Estados Unidos e com o Reino Unido e também destacou a importância de ser bom vizinho, "na medida do possível, incluindo com a Rússia, mas também com outros" países.

A chanceler alemã falava no rescaldo da cimeira do G7 (Alemanha, França, Itália, Japão, Canadá, Estados Unidos e Reino Unido), realizada em Taormina, na Itália, na qual os dirigentes reconheceram a incapacidade para encontrar um terreno de entendimento com os Estados Unidos sobre o combate às alterações climáticas.

Isto porque o Presidente norte-americano, Donald Trump, que tinha advertido antes o G7 de que não determinaria a sua posição senão após esta cimeira, não mudou de posição apesar das insistências dos outros seis dirigentes a favor do acordo de Paris.

"Tomarei a minha decisão final sobre o Acordo de Paris na próxima semana", escreveu Trump no sábado, no Twitter, sem avançar mais detalhes.

Na sua declaração final no final da reunião em Taormina, os líderes de Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, assim como da União Europeia, reconheceram a necessidade de esperar pela decisão de Washington.

Durante a campanha eleitoral, Trump criticou duramente o Acordo de Paris e as alterações climáticas, um fenómeno que chegou a designar de "invenção" dos chineses e já como Presidente iniciou um processo para rever a posição de Washington no acordo.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG