Coletes amarelos. Movimento testa força à 11.ª semana

Centenas de coletes amarelos iniciaram mais um dia (e uma noite) de manifestações em Paris e noutras cidades francesas, num momento marcado pelas divisões internas.

Os coletes amarelos jogam o seu futuro na jornada deste sábado e, como tal, apresentam novas estratégias para manter a pressão nas ruas. Com 84.000 manifestantes contados pelas autoridades nos dois últimos sábados, o protesto parece ter recebido um novo fôlego, sem chegar, contudo, ao nível de mobilização no início de dezembro.

A ideia principal é manter a presença nas ruas e nos meios de comunicação, numa altura em que as divisões são a nota dominante. Primeiro com a rutura entre duas figuras do movimento, Éric Drouet e Priscillia Ludosky, e na quarta-feira com a criação, por parte de Ingrid Levavasseur e Hayk Shahinyan, de uma lista às eleições europeias.

Em Paris, os manifestantes encontram-se dispersos por vários desfiles e concentrações. Mathieu Styrna veio de Fourmies, vila junto à fronteira com a Bélgica e destaca o facto de as pessoas manterem a mobilização no meio do inverno. "A primavera está a chegar..." Para este carpinteiro de 36 anos, "o grande debate é uma grande fantochada. Parece que há uma seleção de pessoas que participam nela", comenta à AFP sobre a resposta de Emmanuel Macron aos coletes amarelos.

No dia 13, o presidente francês reagiu a mais de dois meses de manifestações dos coletes amarelos com a proposta de um grande debate nacional em torno de 35 questões sobre quatro grandes temas: democracia, transição ecológica, fiscalidade e imigração. "Quero transformar convosco a raiva em soluções", afirmou então Macron, numa carta dirigida aos franceses.

Em Paris, os manifestantes vão também participar na chamada noite amarela, das 17.00 às 22.00, na Place de la République. Vários desfiles noturnos também estão previstos no resto do país.

Em Bordéus, juntaram-se cerca de cinco mil pessoas. A cidade do sudoeste é considerada um bastião do movimento.

Em Estrasburgo, os coletes amarelos reuniram-se em frente ao Parlamento Europeu antes de se dirigirem para o centro da cidade. Valentin Wimmer, reformado oriundo de Molsheim, considera que "o movimento está a começar a desmoronar-se" e não concorda com a criação de uma lista para as eleições europeias.

Na Normandia, em Évreux, a manifestação degenerou em vandalismo, com automóveis incendiados junto ao edifício da Câmara municipal.

Cabeças e olhos atingidos

No dia em que as forças policiais estreiam a utillização de câmaras nos agentes equipados com armas com balas de borracha - cuja utilização tem dado azo a controvérsia - o jornalista e autor de documentários David Dufresne fez um balanço no site Mediapart sobre as baixas causadas nas manifestações (não inclui polícias).

Um morto, 145 ferimentos na cabeça e 16 pessoas atingidas no olho são os dados de maior gravidade, entre manifestantes, mas também jornalistas, transeuntes e até médicos em serviço.

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