Geringonça andaluza? Ciudadanos rejeita esquerda, mas à direita é preciso o Vox

O candidato dos Ciudadanos ao governo de Andaluzia, Juan Marín, recusa entrar numa coligação liderada pela líder do PSOE na Andaluzia e atual presidente da Junta, Susana Diaz. Após 36 anos no poder, socialistas venceram eleições regionais de domingo com o pior resultado de sempre

Os socialistas do PSOE, de Pedro Sánchez, tiveram o pior resultado de sempre na Andaluzia, apesar da vitória com 27,96%, que lhes permitiu eleger 33 deputados (menos 14 do que nas eleições anteriores, em 2015). Juan Marín, candidato do Ciudadanos, que obteve 21 lugares no parlamento regional, já veio dizer que rejeita uma coligação com o PSOE. "Não vamos apoiar Susana Diaz [presidente da Junta da Andaluzia] nem um governo socialista. Eles perderam a confiança do povo da Andaluzia e, por isso, essa possibilidade não existe", garantiu esta segunda-feira na imprensa espanhola.

Marín afirmou que o seu partido vai apresentar uma candidatura à liderança do governo da Andaluzia com o objetivo de colocar um ponto final aos quase 40 anos do PSOE na liderança da região. Argumenta que o centrista Ciudadanos, o terceiro partido mais votado com 18,26%, foi a força política com representação no parlamento regional que mais cresceu nestas eleições, ao eleger mais 12 deputados do que nas anteriores, enquanto o PP, que garantiu o segundo lugar com 20,76%%, conseguiu 26 (menos sete) e a coligação de esquerda Adelante Andalucia (Podemos e Esquerda Unida), a quarta força política mais votada, elegeu 17 deputados, tendo perdido 300 mil votos em relação a 2015.

Uma posição do Ciudadanos que, à partida, inviabiliza qualquer hipótese de uma geringonça de centro-esquerda na Andaluzia, juntando PSOE, Ciudadanos e Adelante Andalucia.

Tendo em conta este cenário, Juan Marín recordou o que o líder do PP da Andaluzia prometeu: "Juanma Moreno disse que gostava muito de ser meu vice-presidente e esperemos que cumpra. Este é o momento de mudar o governo da Junta de Andaluzia, depois de quase 40 anos de PSOE". "Se hoje é possível uma mudança na Andaluzia é graças ao crescimento do Ciudadanos. O bipartidarismo do PP e PSOE perdeu assentos e é por isso que vamos tentar liderar a regeneração na Andaluzia", sublinhou.

Mas se o Ciudadanos rejeita uma coligação com o PSOE da Andaluzia, um cenário inverso não está colocado de parte. "Talvez seja ela [Susana Diaz] quem tem de apoiar um governo do Ciudadanos", afirmou Juan Marín, que deixa um recado à atual presidente da Junta da Andaluzia. "Diaz tem de ser mais humilde, pensar no que fez mal".

Na rede social Twitter, Juan Marín afirmou que o momento que se vive na região é de mudança. "Só um projeto de centro, moderado, sensato e constitucionalista pode liderar esta mudança", escreveu. E deixou um recado: "PP e PSOE devem assumir que a mudança na Andaluzia é laranja. Há uma força política que criou esperança e alento e pode liderar a mudança na Andaluzia".

Extrema-direita entra no parlamento da Andaluzia com 12 deputados

Mas se o PSOE sai enfraquecido nestas eleições e o Ciudadanos se tornou na força política que mais cresceu na região, o Vox foi a grande surpresa na noite eleitoral de domingo. O partido da extrema-direita entra, pela primeira vez, para o parlamento regional da Andaluzia ao eleger 12 deputados. Obteve 10,97% dos votos (em 2015, tiveram 0,46%).

Perante estes resultados, fica em aberto a hipótese de uma geringonça de direita, com PP, Ciudadanos e Vox, uma vez que os dois primeiros sozinhos não chegam para alcançar a maioria.

Um resultado que mereceu as felicitações da líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen. "As minhas felicitações mais intensas e calorosas para os nossos amigos do Vox que, esta noite em Espanha, obtiveram um resultado muito significativo para um movimento jovem e dinâmico", escreveu no Twitter.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG