Cimeira europeia num "impasse muito mais complicado do que o esperado"

O primeiro-ministro italiano veio assumir que as negociações em Bruxelas estão a revelar-se bem mais complicadas do que à partida se previa, até porque não há consenso sequer relativamente à quantidade de subsidios a atribuir.

Neste momento todos os dossiers estão em aberto, incluindo o dos montantes do fundo de recuperação da economia europeia. E, ao fim de dois dias de cimeira, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte é o primeiro governante a assumir que as negociações chegaram a uma encruzilhada, da qual os 27 não conseguem sair.

"Estamos num impasse que está a mostrar-se muito complicado, mais complicado do que o esperado. Há muitas questões que ainda estamos a discutir que não conseguimos resolver", afirmou o primeiro-ministro italiano, confirmando que o único ponto que estava encerrado, é agora objecto de discussão sem acordo.

"Muitos estados, ou na verdade, até são poucos, estão a questionar a quantidade de subsídios", confirmou Giuseppe Conte, a referir-se ao montante de 500 mil milhões de euros que deveria ser atribuído em subvenções a fundo perdido, que ja foi posto em causa pelo chanceler austríaco, Sebastian Kurz.

Para forçar um acordo junto do chamado grupo dos frugais, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel avançou esta tarde com uma proposta de corte de 50 mil milhões a este fundo, com evidente impacto nos envelopes nacionais, que não agradou o primeiro ministro italiano.

Giuseppe Conte afirma que vários primeiros-ministros, incluindo o português estão a tentar convencer os frugais de que a manutenção dos montantes, é importante para toda a Europa.

"Todos devem entender que não é só a Itália que beneficia, não é apenas Espanha, ou Portugal, - que são os países mais afetados e menos resilientes - mas sim toda a Europa", afirmou, lembrando que a União Europeia é "uma economia integrada, em que todos devemos recuperar, e recomeçar juntos, ainda mais competitivos e mais resistentes, para competir no espaço global com a China e os Estados Unidos".

"Depois, existem alguns aspectos processuais relativos às fiscalizações na execução dos programas. Existem aspectos complexos relativos à distribuição de competências entre a Comissão, o Conselho e o Parlamento. Além disso, existe o Quadro Financeiro Plurianual, com todos os vários aspectos relativos aos famosos "descontos", relativos às cobranças aduaneiras", nomeadamente entre Bélgica e Países Baixos.

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