Ciclone Idai pode obrigar a adiar eleições em Moçambique

Eleições legislativas e presidenciais estão marcadas para 15 de outubro e o recenseamento devia começar já a 1 de abril. Comissão Nacional de Eleições propõe adiar para 15 de novembro ou 15 de dezembro.

A passagem do ciclone Idai por Moçambique poderá obrigar a adiar as eleições legislativas e presidenciais, previstas para 15 de outubro. A Comissão Nacional de Eleições vai apresentar três cenários ao governo, sendo que dois deles defendem adiar por um ou dois meses o escrutínio, segundo o jornal digital Carta de Moçambique.

O primeiro cenário é manter a data de 15 de outubro, mas adiando o recenseamento eleitoral que deveria começar a 1 de abril (só faltava a formalização por parte do governo). Já o segundo é adiar as eleições um mês, para 15 de novembro, enquanto o terceiro é adiar dois meses, para 15 de dezembro.

Segundo o jornal digital, a Comissão Nacional Eleitoral consultou o Instituto Nacional de Calamidade Naturais. Este terá dito que, na melhor das hipóteses, serão três meses de assistência às vítimas, sem incluir o realojamento das pessoas.

De acordo com a mesma fonte, o calendário eleitoral só deverá arrancar em junhho, atrasando ou encurtando todas as atividades, desde o recenseamento eleitoral à seleção, recrutamento e formação dos membros das assembleias de voto e até a campanha eleitoral.

Rever prioridades políticas

O economista e professor universitário moçambicano António Francisco defendeu esta sexta-feira que os efeitos do Idai vão obrigar o governo a apresentar um orçamento retificativo e a rever as prioridades políticas em ano de eleições.

"Ainda é cedo para contabilizar os efeitos, mas já é visível que os efeitos do ciclone devem obrigar as autoridades a fazer um conjunto de iniciativas que não estavam na agenda este ano, deve obrigar o Governo a rever o seu próprio orçamento e as suas prioridades políticas", disse o economista em declarações à Lusa a partir de Maputo.

"O orçamento para este ano já tinha um défice que corresponde a 90 mil milhões de meticais, cerca de 1,5 mil milhões de dólares", exemplificou, notando a necessidade de canalizar verbas para ajudar os cerca de 400 mil afetados pelo ciclone Idai, que na semana passada atingiu fortemente a cidade da Beira e toda a província de Sofala.

O Governo "tinha a expectativa de, com este ano de eleições, virar a página, mas ao longo de toda esta década houve uma situação não resolvida que já vinha de antes do ciclone", disse o economista, referindo-se ao escândalo das dívidas ocultas contraídas em 2012 e 2013, e divulgadas em 2016.

Agora, apontou, "há uma oportunidade para mostrar algum empenho e menorizar o efeito do ciclone".

Mais Notícias

Outras Notícias GMG