Cessar-fogo bilateral a 1 de janeiro

Presidente propõe acelerar as negociações para dar "presente de Natal e Ano Novo" aos colombianos

Um mês depois do aperto de mão histórico com o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o presidente colombiano propôs ontem à guerrilha acelerar as negociações de paz para decretar um cessar-fogo bilateral a partir de 1 de janeiro. Juan Manuel Santos aceitou fazer um esforço para progredir no diálogo e, como tinha pedido o líder guerrilheiro Rodrigo Londoño (conhecido como Timochenko), dar um "presente de Natal e Ano Novo" aos colombianos.

"Vamos fazer esse esforço para que, até 31 de dezembro, possamos terminar as negociações do ponto cinco, do fim do conflito, e assim poder decretar o cessar-fogo bilateral e verificável internacionalmente a partir de 1 de janeiro", afirmou o presidente a partir da Casa de Nariño.

As FARC, que contam oficialmente com sete mil guerrilheiros, iniciaram uma trégua unilateral a 20 de julho. O governo colombiano respondeu com a suspensão dos bombardeamentos aéreos, mas manteve as operações militares em terra - ainda ontem, quatro alegados guerrilheiros que se dedicavam à extorsão foram mortos no departamento de Caquetá.

Nas negociações de paz que decorrem há quase três anos em Havana, o governo colombiano e a guerrilha já chegaram a acordo sobre o tema do desenvolvimento rural, a participação política, a questão do narcotráfico e, a 23 de setembro, o acordo sobre justiça, que inclui as reparações e indemnizações às vítimas do conflito armado. Em meio século, morreram mais de 220 mil pessoas e quase oito milhões de pessoas tiveram que abandonar as suas casas.

No dia do histórico aperto de mão entre Santos e Timochenko, ambos tinham estabelecido um prazo de seis meses (até 23 de março) para a assinatura dos acordos de paz. A ideia do presidente colombiano é acelerar esse processo, tendo dito que deu instruções aos negociadores em Havana para trabalharem nesse sentido.

Menos ataques

O último relatório do Centro de Recursos para a Análise do Conflito, de há uma semana, revelava que as ações ofensivas das FARC estão reduzidas a mínimos históricos. "As mortes e os feridos associados à violência do conflito tiveram uma drástica redução de mais de 50% para ambos os tipos de vítimas", lia-se no relatório.

O mesmo documento revelava também uma diminuição em 43% dos ataques do exército contra a guerrilha. "Esta diminuição também se observa na média mensal de feridos, que no período atual é de 25, e era de 74 desde 1975, o que representa uma redução de 66%", dizia o Centro de Recursos para a Análise do Conflito.

Apesar das negociações de paz com as FARC, a outra grande guerrilha colombiana continua ativa. Horas antes do anúncio de Santos, 12 militares terão sido mortos numa emboscada do Exército de Libertação Nacional (ELN). O ex-presidente colombiano e atual senador Álvaro Uribe, um dos mais críticos das negociações de paz, deixou ontem entender que na realidade os autores do ataque foram guerrilheiros das FARC disfarçados com o uniforme do ELN.

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