A revolução verde de Madrid: o centro da capital espanhola muda hoje

Seis bairros da capital espanhola começam a respirar melhor, com proibição de entrada de carros anteriores a 2000 (gasolina) e 2006 (diesel). Trânsito deve diminuir 77%. Residentes têm até 2025 para trocar de automóvel

O centro de Madrid tem a partir desta sexta-feira medidas muito apertadas de restrição ao trânsito, que apenas não se aplicam aos residentes e aos transportes públicos, no que é considerada uma medida histórica em Espanha para reduzir a poluição atmosférica e melhorar a qualidade do ar no centro da capital.

Todos os veículos a diesel anteriores a 2006, e a gasolina, anteriores a 2000 - exceção feita para os residentes, que têm até 2025 para mudar de automóvel para um poluente zero - estão banidos a partir de hoje daquela zona central da cidade

Além dos residentes e dos transportes públicos, apenas os veículos com zero emissões poderão circular livremente e estacionar naquela área, a partir de agora.

Inaugurado hoje, o Madrid Central, como se designa o plano rodoviário antipoluição da presidente da câmara madrilena, Manuela Carmena, abrange seis bairros, num total de 472 hectares - uma área idêntica às de 472 campos de futebol. Com ele a autarquia espera conseguir reduzir em 77% o trânsito naquela zona.

A meta ambiental da medida é reduzir em 23% até 2020 o dióxido de azoto na capital. Os níveis elevados deste gás poluente nas cidades, que são causados pela circulação automóvel, estão ligados ao aumento das doenças respiratórias.

Os bairros que integram o plano são Letras, Cortes, Embajadores, Ópera, Justicia y Universidad. Os 230 mil veículos que habitualmente entravam nesta zona da cidade passarão a ser apenas 76 mil, de acordo com os cálculos das autoridades.

Durante os próximos quatro meses a medida aplica-se sem sanções, mas a partir de março do próximo ano, os condutores que não observarem a proibição de circulação naquela vasta área da cidade serão multados.

Neste primeiro dia de aplicação do plano Madrid Central, já se observou menos trânsito nas ruas daquela área da cidade, segundo o diário El Mundo.

A medida, no entanto, não é completamente pacífica. Tal como aconteceu noutras cidades europeias que criaram restrições similares ao trânsito - Londres, há 15 anos, impôs uma taxa de acesso ao centro da cidade e o mayor enfrentou uma dura oposição, por exemplo -, também em Madrid tem havido uma contestação forte por parte de comerciantes e outros cidadãos.

Os resultados da medida imposta em Londres são hoje, no entanto, positivos. O trânsito e a poluição diminuíram substancialmente no centro da capital britânica, e isso acabou por servir de inspiração aos planos que entretanto foram implementados noutras cidades europeias, como Milão, em Itália, ou Estocolmo, na Suécia.

Com esta medida, agora, em Madrid, as autoridades esperam obter também um impacto ambiental positivo.
Já este este ano, a cidade alemã de Hamburgo tomou idêntica decisão, banindo os carros a diesel mais antigos das suas principais vias de circulação. Esta é uma tendência, parece, que veio para ficar.

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