Casa onde nasceu Hitler vai ser transformada em esquadra de polícia

Autoridades austríacas querem "neutralizar" o edifício localizado na cidade de Braunau. Será remodelado e passará a ser uma esquadra de polícia e "guardião dos direitos de liberdade".

As autoridades austríacas apresentaram esta terça-feira os planos para "neutralizar" a casa onde nasceu Adolf Hitler, transformando-a numa esquadra de polícia, com o edifício a receber algumas mudanças cosméticas no processo.

A casa de esquina amarela na cidade austríaca de Braunau, na fronteira com a Alemanha, onde Hitler nasceu em 20 de abril de 1889, foi assumida pelo governo em 2016.

O destino do edifício foi alvo de uma longa batalha legal com o proprietário da casa, que só terminou no ano passado.

A empresa de arquitetura austríaca Marte.Marte, administrada por dois irmãos, foi escolhida entre 12 candidatos para realizar as modificações na propriedade. O governo espera que o trabalho custe cerca de 5 milhões de euros e esteja concluído no início de 2023.

"Um novo capítulo será aberto para o futuro a partir da casa de nascimento de um ditador e assassino em massa", disse o ministro do Interior, Karl Nehammer, em conferência de imprensa anunciando os planos.

O funcionário do Ministério Hermann Feiner acrescentou que, ao ajustar a arquitetura e o uso do edifício, o governo pretendia "tornar neutro todo o local". Como edifício de uma polícia, passará uma imagem de "guardião dos direitos de liberdade".

Embora Hitler tenha passado pouco tempo na propriedade, esta continuou a atrair simpatizantes nazis de todo o mundo.

Manifestantes antifascistas também organizaram comícios junto ao prédio no aniversário de Hitler.

Autoridades dizem agora que a propriedade de 800 metros quadrados - que também possui várias garagens e lugares de estacionamento localizados atrás do edifício principal - receberá dois frontões pontiagudos, mas que grande parte da estrutura original permanecerá intacta.

Uma placa comemorativa no exterior do edifício também será removida e poderá ser exibida num museu.

A mais alta instância judicial da Áustria decidiu no ano passado que Gerlinde Pommer, cuja família foi dona da casa durante quase um século, tinha direito a cerca de 810.000 euros de compensação, encerrando uma longa batalha legal.

Pommer alugava a propriedade ao ministério do interior desde os anos 1970. O governo pagava cerca de 4.800 euros por mês e usava como centro para pessoas com deficiência.

Mas o acordo desfez-se em 2011, quando Pommer recusou realizar obras de renovação essenciais e também recusou a venda. Desde então o prédio ficou vazio.

A certa altura, o Ministério do Interior chegou a pressionar para a demolição, mas os planos encontraram uma resistência de políticos e historiadores.

A Alemanha anexou a Áustria em 1938 e, embora muitos dos principais colaboradores de Hitler fossem austríacos, os historiadores dizem que o pequeno país alpino demorou a reconhecer por muitos anos a sua responsabilidade partilhada pelo Holocausto e pelos outros crimes dos nazis.

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