Cara da campanha #metoo recebe troféu inspiração nos prémios "homem do ano" da revista GQ

É a primeira vez que a revista masculina americana nomeia uma mulher, a ativista Rose McGowan, na categoria "inspiração" nos troféus "Homem do Ano". A justificação é a sua "bravura" na denúncia das agressões sexuais do produtor Harvey Weinstein.

"Reconhecendo a sua bravura como uma das primeiras mulheres a falar abertamente sobre assédio e agressão sexual na indústria cinematográfica, Rose McGowan será distinguida com o troféu inspiração GQ Homem do Ano 2018. (...) McGowan é a primeira mulher a receber o troféu na nossa cerimónia anual." É assim que a Gentleman's Quarterly anuncia a atribuição do prémio à atriz, realizadora, música e autora que liderou as denúncias contra o produtor Harvey Weinstein, que acusou de a ter violado. McGowan já tinha sido distinguida, pelos mesmos motivos, pela Time como "Pessoa do Ano" 2017, em conjunto com várias outras ativistas do movimento #metoo.

Em reação à atribuição do prémio, a ser entregue numa cerimónia que terá lugar a 5 de setembro, por coincidência dia do seu aniversário, a autora de Brave (livro autobiográfico lançado este ano), de 44 anos, disse: "Estou muito orgulhosa por ter sido escolhida pela GQ como homenageada nesta categoria de inspiração do troféu Homem do Ano. É um novo amanhecer, um novo dia em que podemos celebrar uma mudança positiva na sociedade." Quando partilhou o anúncio no Twitter, uma das primeiras pessoas a reagir, com uma série de emojis de aplauso, foi Monica Lewinsky, que como estagiária da Casa Branca protagonizou o caso que ficou conhecido com o seu nome, em 1998, e que chegou a implicar uma investigação ao presidente Bill Clinton com vista à sua destituição, por ter sido acusado de mentir sobre o seu relacionamento sexual com a jovem funcionária, que à altura da sua intimidade com Clinton tinha 22 anos.

Já houve outras mulheres distinguidas nos troféus Homem do Ano da GQ - em 2017, por exemplo, a designer de moda Grace Wales Bonner recebeu o prémio designer revelação - mas na categoria Inspiração, cuja lista de anteriores recipientes inclui o escritor britânico Salman Rushdie e o ex futebolista brasileiro Pelé, tal nunca tinha sucedido. Atendendo a que o editor da GQ, Dylan Jones, justifica esta primeira atribuição do prémio a uma mulher com "a incrível força e bravura que Rose McGowan demonstrou ao chegar-se à frente e ao ser uma das primeiras pessoas a acusar uma grande figura de uma indústria de abusar de forma obscena do seu poder", a distinção corre o risco de incorrer no estereótipo que associa a coragem e a força aos homens e que, ao elogiar a coragem numa mulher, diz que "é corajosa como um homem". Algo que, na distinção de uma líder de uma das correntes do movimento feminista, é bastante irónico.

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