'Capitão Coragem', o herói do navio Diamond Princess

Está a ser elogiado pela forma como lidou com a crise. No dia de São Valentim, enviou chocolates aos passageiros com mensagens de ânimo e recitou um trecho do livro de Coríntios: "O amor tudo perdoa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".

Gennaro Arma é o herói do Diamond Princess. Entre brincadeiras e informações essenciais, o capitão italiano do navio soube encontrar o tom adequado para acalmar os passageiros que foram obrigados a ficar em quarentena no Japão por causa do novo coronavírus.

Arma começou a carreira por baixo, conta a AFP, tendo entrado para a empresa Princess Cruises em 1998. Passados 20 anos, assumiu o comando do "Diamond Princess".

"Nascido na magnífica península de Sorrento, na Itália, o capitão Arma sempre foi um apaixonado pelo mar", afirma a empresa a que pertence o navio. É pouco provável, no entanto, que tenha imaginado passar por um desafio semelhante na sua vida profissional. Arma viu-se, repentinamente, com 3.700 pessoas a bordo e ansiosas diante do medo de serem infetadas com um vírus até então desconhecido.

Com o passar dos dias, os casos multiplicaram-se, chegando aos 634 nesta quinta-feira. Os resultados dos testes a centenas de pessoas ainda são desconhecidos.

Sem nunca perder o sangue frio, ou parecer cansado, Arma agarrou no microfone várias vezes ao dia para transmitir mensagens aos passageiros confinados 24 horas por dia a cabines, em muitos casos sem janelas.

Com um inglês de sotaque italiano, soube sempre levantar o ânimo aos passageiros. "Um diamante é um pedaço de carvão que evoluiu muito bem sob pressão", contou o capitão, referindo-se ao nome do navio e pedindo para que estes lessem as mensagens de apoio nas redes sociais com a hashtag hangintherediamondprincess (#aguentafirmediamondprincess, em tradução livre).

"O amor tudo perdoa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta", recitou o capitão

"Estou convencido de que se permanecermos unidos como uma família, poderemos ter êxito nesta viagem. O mundo está a olhar para nós. É uma razão extra para que todos demonstremos a nossa força", afirmou.

No dia de São Valentim (o Dia dos Namorados), enviou chocolates para os passageiros com mensagens de ânimo e recitou um trecho do livro de Coríntios: "O amor tudo perdoa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".

"Uma das razões pelas quais o pânico não tomou conta dos passageiros foi a forma como o capitão controlou a situação, com mensagens regulares, respostas às preocupações dos passageiros, desculpas pela distribuição tardia de medicamentos", testemunhou, num tweet, uma das pessoas a bordo. Em troca, o capitão Arma recebeu muitas mensagens de apoio dos passageiros.

"Para todos os que se preocupam comigo, estou muito emocionado pela vossa amabilidade e quero assegurar que estou muito bem. Sou quase o mesmo capitão que era há 12 dias, apenas com um pouco mais de cabelos brancos", brincou.

Usando algumas palavras do seu italiano natal, também se desculpou pelo sotaque. "Um amigo enviou-me um áudio de um dos meus anúncios. Gostaria de me desculpar por tê-los feito passar por isso", disse o capitão. "Acreditem, quando ouvi a minha voz, fiquei surpreendido. Mas culpo a máscara e agarrro-me a esta versão dos fatos", afirmou, em tom de brincadeira.

Em Itália, ganhou a alcunha de "Capitão Coragem".

"Há tanta coisa para fazer a bordo. A minha única preocupação é cuidar dos passageiros e da tripulação. Espero apenas que isto termine rápido", declarou ao jornal italiano Repubblica.

A mulher de Gennaro Arma, Marianna, destacou a "calma" do capitão e o seu "profundo sentido de responsabilidade". "Estamos em contacto, mas tentamos ser rápidos para não roubar tempo das atividades prioritárias", explicou.

Pietro Sagristani, autarca do município de origem do capitão Arma, Sant'Agnello, contou que toda a comunidade acompanha as notícias do Japão com preocupação. "Mas temos confiança nele. Vem de uma longa linha de marinheiros, e conhecemos a sua coragem. Tudo vai acabar bem", vaticina.

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