Cantou em sutiã e foi ameaçada de morte

Zere Asylbek, uma cantora quirguize de 19 anos apresentou queixa depois de receber ameaças de morte na sequência do lançamento de um vídeo em que denuncia a discriminação de género na ex-república soviética

Uma semana depois de ter sido lançado, Kyz, o último videoclip de Zere Asylbek é já um sucesso. A canção denuncia a discriminação de género no Quirguistão e, se conseguiu os aplausos dos fãs, também irritou os sectores mais conservadores da sociedade quirguize. Para eles, o vídeo insulta os valores nacionais, focando-se na roupa interior da cantora, que surge de blazer preto, mas com o sutiã roxo a ver-se.

Zere explicou à AFP ter apresentado queixa na polícia depois de receber várias ameaças de violência física, algumas delas sugerindo mesmo acabar com a sua vida.

Muitas destas ameaças surgiram através das redes sociais. Um utilizador usou um perfil anónimo para ameaçar matar Zere se o vídeo não fosse apagado. Outro utilizador, cuja mensagem a cantora enviou à AFP, garante ter todo o gosto em se juntar ao primeiro e "arrancar-lhe a cabeça".

Kyz, que significa "rapariga" em quirguize, é uma mensagem a apelar ao respeito pelos outros. "Temos de respeitar a pessoa que verdadeiramente somos. E respeitar as escolhas, opiniões e formas de vida dos outros", explicou a cantora.

Casamentos forçados

Zere recebeu apoio do pai. No Facebook, Asylbek Zhoodonbekov saudou a capacidade da filha de pensar livremente. E explicou que esta se tornou mais politicamente consciente após uma jovem ter sido morta numa estação de serviço por um homem que a tentava sequestrar para um casamento forçado.

O crime, que ocorreu em maio, gerou uma onda de protestos no Quirguistão, uma ex-república soviética da Ásia Central, de maioria muçulmana e onde todos os anos milhares de mulheres são sequestradas e forçadas a casar. Uma prática antiga que remete para o passado nómada do país e que as atuais autoridades são acusadas de ignorar, apesar de ser proibida por lei desde 2013 e acarretar uma pena de até sete anos de prisão.

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